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“Às vezes o investidor não está consciente de que o risco da sua carteira é excessivamente concentrado”


O Grupo de Investigação e Consulta de Carteiras (Portfolio Research and Consulting Group) converteu-se numa das marcas da Natixis Global Asset Management. Constituído inicialmente no ano de 2011 em Boston para proporcionar aos clientes dos Estados Unidos informação pormenorizada sobre como estão configuradas as suas carteiras em termos de correlações, volatilidade ou diversificação, o êxito da iniciativa levou o grupo a cruzar o Atlântico e a abrir um escritório em Londres para oferecer o mesmo serviço aos investidores europeus.

James Beaumont é o máximo responsável do Grupo de Investigação de Carteiras duradouras. Numa entrevista à Funds People, o especialista explica que a ideia de oferecer este serviço aos seus clientes veio responder ao facto de se terem apercebido que muitos investidores não dispunham das ferramentas necessárias para medir adequadamente o risco dos seus portfólios. “O gestor gosta de ter informação sobre quais são os riscos a que está exposto assegurando-se de que na prática estão a assumir o risco que realmente querem assumir. Às vezes regem-se por uma série de carteiras modelo sem reparar na concentração de risco maior do que aquilo que estimavam em determinados elementos”.

A transmissão da informação faz-se desde o centro de Londres diretamente com clientes, sem que se produza nenhum tipo de assessoria ao investidor sobre como se deve mover a carteira. “Não fazemos aconselhamento; somos agnósticos em termos de produto. Apenas nos dedicamos a analisar o nível de risco da carteira. O nosso papel não é avaliar que classes de ativos se deveria incluir no portfólio. Não é a nossa função”. Beaumont reconhece que isto é um factor que os valoriza. “Em termos gerais, o feedback que estamos a ter é muito positivo. Valorizam a qualidade do trabalho e a independência. Os clientes gostam da ideia de não promoção de um produto, e agradecem que os ajudemos no seu trabalho proporcionando-lhes uma profunda análise de carteiras”.

Segundo explica, o que mais valorizam os clientes é a qualidade do trabalho e a independência com a qual o executam. Também o nível de detalhe com que elaboram o estudo das carteiras é um factor assinalado. A equipa não compactua com o uso de apenas uma medida de risco, mas sim várias, como se se tratasse de um quebra cabeças. A atual divergência mostra que as medidas clássicas de volatilidade, a análise de correlação e a análise factorial, permitem-nos saber se o cliente está a assumir os riscos que realmente quer assumir. O VAR, po outro lado, avisa-os sobre o pior dos cenários. 

Entre os principais clientes estão bancas privadas, consultores financeiros e inclusive grandes investidores institucionais, tais como fundos de pensões. A nível geográfico, o interesse estende-se a todo o mundo. Isso é evidenciado pelo facto de, atualmente, se estar a verificar um interesse dos clientes em regiões tão diversas como América Latina ou Singapura. “A procura está a ser exponencial. No ano passado trabalhámos com 2.000 clientes de todo o mundo, sobretudo dos Estados Unidos. O investidor final está confuso. 58% não tem bem definidos quais são os seus objetivos. O investidor necessita de assessoria financeira. 78% prefere segurança face à rentabilidade, ainda que a maioria queira retornos de 9%. É algo contraditório”.

A grande aceitação que o Grupo de Investigação e Consulta de Carteiras está a ter entre os clientes obrigou a entidade a reforçar a equipa. “É o principal objetivo”, revela Beaumont. Atualmente, as equipas de Boston e Londres são formadas por 32 membros. No escritório de Londres trabalham nove profissioanais. A este incorporaram-se recentemente Julio Dauchez (consultor sénior), Xavier Lassau, Narimane Agha e Augustin Flamarion (que se juntaram para exercer a função de analistas juniores) e Graham Brewster, anteriormente na equipa de Boston e que agora passa para a Europa. Também acabam de contratar um consultor que fala espanho, que integrará a equipa em novembro, de forma a oferecer um serviço no mesmo idioma dos seus clientes de Espanha e América Latina. 

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