As quatro razões pelas quais a Zona Euro não vai desintegrar-se


No início de 2012, o presidente do BCE, Mario Draghi, descreveu o euro como uma abelha, um mistério da natureza que não devia ser capaz de voar, mas que de alguma forma conseguiu permanecer no ar. As dúvidas dos investidores sobre a sustentabilidade da Zona Euro e a sua não desintegração foram muitos ao longo dosúltimos meses. O UBS Global Asset Management apresenta, num 'outlook' sobre investimento em 2012, quatro razões pelas quais a Zona Euro irá sobreviver e os desafios que enfrenta actualmente.

A primeira: o custo económico que poderia causar uma ruptura na Zona Euro, é proibitivo. "A saída dos países mais fracos da União Económica e Monetária (UEM) conduziria, muito provavelmente, a uma desvalorização massiva das novas moedas, seguida de uma onda de falta de pagamento por parte dos Estados Soberanos, o colapso de instituições financeiras e a ocorrência de falências em diversas empresas. Os mercados de crédito ficariam paralisados, levando ao colapso do comércio e do investimento". Segundo as estimativas do UBS Global AM, a economia de um país que abandone o euro sofreria uma contracção entre 40% e 50% no primeiro ano. Os países núcleo da UEM, também, não teriam nada a ganhar, já que entidades dos mesmos têm posições em dívida periférica.

Em segundo lugar, o custo político e ameaça à segurança. A fragmentação do euro seria um golpe grave para o prestígio e influência internacionais da Europa. "Um ataque contra o coração de um projecto de 60 anos, que começou como um projecto para carvão e o aço que procurava acabar com as guerras no Velho Continente comprometeria o longo período de paz que existiu desde então.Essa é a razão mais importante para manter a Europa unida ", diz gestora suiça.

A terceira razão relaciona-se com os grandes avanços que foram dados para uma maior integração e que são difíceis de desfazer. "O desmantelamento da Zona Euro e do euro, a segunda moeda mais utilizada no mundo, seria alucinante. Para evitar uma possível falência do sistema bancário global, os governos teriam, provavelmente, de assumir o controlo dos mercados de acções, obrigações e divisas por um período prolongado. Por outras palavras, a decisão de deixar a Zona Euro não é apenas uma decisão europeia, mas global”, salienta a entidade.

E quarto: as nações da Zona Euro há muito tempo que renunciaram à sua soberania económica. "É importante lembrar que os países da Zona Euro renunciaram em grande parte da sua soberania económica quando concordaram em mudar as suas moedas nacionais para o euro. Abandonando a peseta, a lira e o escudo, Espanha, Itália e Portugal renunciaram à possibilidade de manter a sua soberania em termos de política monetária. O Tratado de Maastricht também restringiu a capacidade dos membros da Zona Euro de adoptar políticas fiscais anticíclicas, com a obrigação de manter um défice orçamental abaixo dos 3%", indicam.

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