As empresas favoritas de Fabio Riccelli de olhos postos no próximo ano


FF European Dynamic Growth conseguiu desde o início do ano uma rentabilidade de 29%, o que posiciona este fundo no primeiro decil, superando em oito pontos base o seu índice de referência, mostram dados da Morningstar. Grande parte do sucesso obtido ao longo deste ano é justificado pelo bom comportamento do mercado de ações europeu no primeiro trimestre e pelo facto de o gestor ter conseguido proteger o capital durante as correções de mercado observadas nos trimestres seguintes. “Os bons resultados deste ano compensam em parte o pior resultado de 2014. Sem margem para dúvidas, haverá períodos em que as rentabilidades se desviam do índice de referência devido ao meu enfoque no crescimento e qualidade e ainda devido à natureza concentrada e de alta convicção da carteira. Portanto, prefiro abordar o tema da rentabilidade de uma perspectiva de longo prazo de forma a dar relevo à constância das rentabilidades ao longo do tempo”, assegura Favio Riccelli, gestor da estratégia.

Desde que assumiu as rédeas do fundo em novembro de 2008, este produto da Fidelity subiu 182% (16,1% anualizados), enquanto o MSCI Europe ganhou 117% (11,8% anualizados), o que significa rentabilidades acumuladas superiores a 65% e anualizadas superiores em 4,3%. Fabio Ricceli procura criar uma carteira de elevada convicção composta por títulos com um excelente perfil de crescimento, de todas as capitalizações e com perspectivas que estejam a ser subestimadas pelo mercado. Procura empresas com lucros previsíveis e que contem com motores de crescimento a nível estrutural.Nos últimos tempos, conquistamos vários êxitos devido aos resultados das empresas, com especial destaque para os da empresa tecnológica SAP e farmacêutica Grifols”. Segundo explica o gestor, são duas posições core do fundo e excelentes exemplos do tipo de empresas orientadas para o crescimento e que estão subvalorizadas, o género de empresas que procura.

“SAP é um negócio de qualidade com um bom crescimento dos lucros que assistiu a uma queda abrupta das suas ações no segundo trimestre, devido à debilidade das vendas de licenças do seu negócio histórico e as dúvidas em torno da possível canibalização das soluções de armazenamento “nas nuvens”. Pareceu-se que este contratempo era temporal, mais que estrutural. Não há duvidas que as soluções de armazenamento “nas nuvens” provocarão danos nos negócios históricos da SAP, mas o núcleo desta empresa é muito resistente e, ao mesmo tempo, a SAP tem vindo a posicionar-se muito bem, tirando vantagens da adopção de tecnologias “na nuvem” por meio de várias aquisições”. O preço da ação tem vindo a subir desde esse momento, especialmente depois da empresa ter registado uma recuperação das vendas de licenças no terceiro trimestre e, paralelamente, ter mostrado bons progressos no seu negócio “na nuvem”.

Grifols apresentou excelentes resultados no terceiro trimestre, impulsionados pela sua liderança de mercado e o seu poder de fixação dos preços. “A empresa espanhola é líder mundial na indústria de plasma sanguíneo e produz um hemoderivado que se usa nos tratamentos contra doenças de foro imunológico. Opera numa indústria oligopolística que cresce com força e apresenta barreiras à entrada devido aos desafios tecnológicos e forte regulação. É, pois, um mercado atrativo, mas em função de problemas de curto prazo relacionados com licitações públicas, o preço tem estado pressionado. Usei esta fraqueza para reforçar a minha posição”. É uma empresa que, na sua opinião, vai acrescentar muito valor para os acionistas.

Top 10: maiores posições em carteira (a 31/10/2015)

TítuloFundoÍndice
Novo-Nordisk6,31,3
Sanofi5,51,4
Experian4,90,2
SAP4,70,9
Grifols4,50,1
Lloyds Banking Group3,30,8
Schindler Holding3,10,1
British American Tobacco3,11,3
Christian Dior2,70,1
Amadeus IT2,50,2

 

 

 

 

 

 

 

 

Composição da carteira

A composição da carteira continua a ser a mesma, em traços gerais, do que era no ano passado pela mesma altura. As maiores sobreponderações eram e são nos sectores das tecnologias de informação, indústria e cuidados de saúde, mantendo, por outro lado, importantes subponderações em energia, telecomunicações e serviços públicos. Também continua a subponderar o sector financeiro. “No global, os balanços estão mais sólidos, mas a concessão de crédito continua sem dar grandes sinais positivos na Europa e o bancos deparam-se com uma compressão das margens devido ao nível muitíssimo baixo das taxas de juro. O crescimento dos lucros futuros dependerá do rimo da recuperação europeia (quanto poderá impulsionar o aumento do crédito) e da velocidade de subida das taxas de juro (que incidem sobre as margens de intermediação)”. No momento, prefere nomes do sector financeiro como o britânico Lloyds Banking Group, uma entidade de banca de retalho – do seu ponto de vista – bem capitalizada que está a reduzir rapidamente as provisões para perdas com empréstimos bancários e que opera num mercado atrativo. “Não se vai beneficiar apenas de um contexto macroeconómico favorável, como também implementou um vasto programa de reestruturação interna que poderá dar lugar a surpresas positivos nos lucros futuros”. Ainda no que diz respeito à composição do portfólio, o gestor diminuiu a relativamente alta exposição que tinha a títulos de consumo discricional, realizando mais valias e saindo, por exemplo, da construtura Taylor Wimpey após o seu excelente comportamento, graças à pujança do mercado britânico de habitação e o surpreendente resultado das eleições em maio, explica. 

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