As duas faces da moeda na avaliação aos bancos europeus


O fim-de-semana que passou foi de avaliação para os Bancos europeus. Numa pequena “fotografia” dos resultados, pode dizer-se que em Itália deu-se o maior número de “chumbos” com 9 bancos a terem nota negativa atribuída pelo BCE nos testes de stress levados a cabo pela entidade. 130 bancos foram sujeitos aos asset quality reviews, enquanto os testes de stress avaliaram123 instituições bancárias. Em Portugal, apenas o Millennium BCP acabou com nota negativa nos testes de stress ao nível do cenário mais adverso.

Ainda que muitas vezes os media repercutam apenas quem “passa” e quem “chumba” neste tipo de análise, da Schroders, Justin Bisseker, analista de banca europeia, acredita que se deve olhar muito mais além dos resultados. “O que é que foi feito afinal?”, pergunta o profissional, que lembra que em primeiro lugar “o BCE conduziu uma revisão profunda dos balanços dos bancos, em que se analisaram mais de 119,000 ficheiros referentes aos clientes devedores das instituições, bem como 170,000 avaliações colaterais, onde foram revistos cerca de 130 bancos da Zona Euro de forma a assegurar uma metedologia de provisionamento uniforme e definições harmonizadas”.

Em segundo lugar, o especialista recorda que o BCE “colocou os bancos sob testes de stress, para condições severas macroeconómicas (o chamado cenário adverso), exigindo-se que mantivessem um core Tier 1 com um valor de referência de 5.5%

Olhar além do óbvio

Na verdade, Justin Bisseker espera que os mercados de ações se concentrem em conclusões mais subtis, que vão para além dos nomes de quem chumbou ou passou no crivo europeu. Indica por exemplo que “alguns bancos ficaram abaixo do nível de provisionamento que o BCE entende como prudente”. Ainda que “para muitos bancos estes valores sejam geríveis”, na opinião do especialista há que estar atento aquilo que o BCE diz: “Espera-se que muitos bancos optem por refletir estas mudanças nas suas contas”. Por isso alerta: “Os investidores terão de tomar nota desta “calibragem”, porque se os bancos não reservarem as provisões exigidas, é bastante provável que o BCE inclua os défices nas almofadas prudenciais”.

O problema da liquidez

Numa nota intitulada de “Não há almoços de liquidez grátis” a UBS Global Asset Management fala precisamente do desafio da liquidez, que foi posto a descoberto tanto pelos testes de stress, como pelo Asset Quality Review. “Apesar de alguns bancos terem falhado os testes de stress que tinham por base os dados de final de 2013, desde essa altura quase todos os bancos aumentaram os seus capitais de forma a passarem”. Aquilo que “soa como música para os ouvidos” pode no entanto ser uma falsa questão. “Isto parecem boas notícias, mas na verdade significa que os bancos se têm ocupado em aumentar capitais, em vez de estarem a emprestar dinheiro. Por outro lado, as várias operações de refinanciamento de longo prazo do BCE é provável que reduzam o custo de capital abaixo dos números a que o FMI estava habituado”, indicam.

Reforço da confiança

Mais positivas estão a Pioneer Investments e a Fidelity Worlwide Investment. Paras Anand, responsável de ações europeias desta última, começa por referir que “25 dos 130 grandes bancos europeus vão precisar de mais capital num cenário económico mais complicado”, o que, na verdade, se afigura “como uma realidade muito melhor para se “viver” comparando com aquilo que muitos antecipavam há dois anos atrás”. Reforça que “vários trimestres de desalavancagem significam que o sistema está menos correlacionado do que estava no período de crise”. 

Do lado da Pioneer Investments, num documento intitulado “Stay calm and carry on”, apelida-se este processo avaliativo como de “restauração da confiança”. “Agora que a avaliação abrangente está completa, esperamos que a propensão dos bancos para emprestar cresça. Também a disponibilidade de crédito deve aumentar (especialmente em alguns países da periferia europeia). No entanto reconhecemos que a procura continua tépida em muitos países”, salienta. 

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