As 10 reflexões que o vão ajudar a tomar a decisão sobre voltar ou não às ações emergentes


É o momento de voltar aos mercados emergentes de ações, ou ainda não? Essa é a  grande pergunta que os investidores estão a fazer neste momento em que refletem sobre como reposicionar as suas carteiras em relação ao próximo ano. Numa apresentação levada a cabo por Alan Ayres, gestor de ações emergentes da Schroders no Media Forum celebrado pela entidade em Londres, o especialista elaborou uma apresentação que poderia ajudar os investidores a tomar a sua decisão sobre a conveniência ou não de aumentar o peso desta classe de ativos nas suas carteiras.

Nessa apresentação, Ayres tocou em vários aspectos importantes que alguém que está a pensar investir nestes mercados deve ter em conta antes de avançar com esse passo. A Funds People resumiu-os em 10 pontos. A principal conclusão é que as valorizações são atrativas com o objetivo de assumir posições de longo prazo, enquanto a curto prazo a ideia chave (para bem e para o mal) passa pela evolução do dólar e pelos resultados empresariais.

1.     Os mercados emergentes contam atualmente com poucos amigos, mas as valorizações que oferecem são atrativas e representam uma boa oportunidade de investimento de longo prazo.

2.     O PIB per capita nos países emergentes tende a crescer com o desenvolvimento do urbanismo, o qual atrai consigo períodos de ‘boom’ de consumo. Nos próximos 10-15 anos não há nenhuma dúvida sobre a importância que os mercados emergentes vão ter. É uma questão de pensar no longo prazo e não ficar obcecado com os muitos desafios que se enfrentam no curto prazo.

3.     Alguns países puseram em marcha reformas muito importantes, como por exemplo a China, Brasil e Indonésia. No caso da Índia, avançam a um ritmo mais lento do que o esperado, mas o potencial de crescimento está aí. É a mesma situação já vivida pelo México.

4.     Uma hipotética recuperação do preço das matérias primas não significará necessariamente que os mercados emergentes vão registar um melhor comportamento do que os desenvolvidos. É importante recordar que apenas 15% do MSCI Emerging Markets Index corresponde a empresas energéticas. E a mesma história mas ao contrário: muitos países emergentes estão a beneficiar claramente da queda das commodities, como é o caso da China, Coreia, Índia, Tawain...

5.     Em termos gerais os dados publicados nos países emergentes decepcionaram, enquanto que os dos países desenvolvidos bateram as previsões. Isto começou a mudar, e agora vemos surpresas positivas no mundo emergente. Necessitamos de comprovar que esta tendência se mantém e que se transfere para os lucros empresariais. Se estes não melhorarem, não existirá subida das bolsas emergentes.

6.     A principal razão que explica o mau comportamento durante os últimos três anos dos mercados emergentes tem a ver com o facto de, em geral, os resultados das empresas terem decepcionado. 

7.     O ponto chave para saber qual será a evolução dos mercados emergentes a curto prazo estará no dólar. Um dos factores para os quais temos de olhar para estar confiantes na recuperação dos emergentes é a estabilização do dólar. Não necessitamos que fique mais barato, mas sim que se estabilize. A pergunta, portanto, é se a divisa vai valorizar quando a Fed subir as taxas. A resposta é sim e não. Se a Fed subir as taxas de forma gradual, e se se posicionar atrás da curva, a resposta é negativa. Se o fizer de forma agressiva, provavelmente fortalecer-se-á. Neste último caso os mercados emergentes vão passar mal.

8.     Para além do dólar, o outro grande desafio para os mercados emergentes é a desaceleração da China. Para o crescimento económico dos países emergentes será vital a estabilização do país. Se os estímulos começarem a funcionar, poderemos assistir a surpresas positivas em termos de crescimento do país. No entanto, existe muita inquietude sobre se os dados oficiais apresentados pelo país são fiáveis. Para mim não é uma questão de se está a crescer a 7% ou a 5%, mas sim se existem as condições para se assistir ao crescimento da atividade e, por extensão, dos lucros empresariais.          

9.     O crescimento da dívida na China é outro dos factores que está a gerar inquietação. Relativamente ao PIB do país, a dívida de governos locais está em 35%, a do governo central em 13% e a dos agregados familiares em 24%. O problema está claramente na dívida empresarial, que em percentagem sobre o PIB representa 120%. Face isso, a China encontra-se numa posição privilegiada para enfrentar esta questão.

10. Os mercados emergentes negoceiam em média com um PER de 10,6, nível que é inferior  à sua média histórica, que está nas 12 vezes. Em termos relativos, também negoceia abaixo do mercado global de ações (15 vezes) e do norte-americano (16 vezes). Se o compararmos com os Estados Unidos observamos que os emergentes negoceiam atualmente com um desconto de 40%, o maior nos últimos 10 anos. Muitas das más notícias estão consideradas no preço.  

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