Apostas sectoriais: o caso dos serviços financeiros


A sabedoria popular costuma dizer que depois da tempestade vem a bonança. Depois do temporal que sucedeu à crise financeira de 2008 e 2009, o sector financeiro – resgatado, saneado, recapitalizado e, em muitos casos, mais concentrado - não só enfrenta o futuro com mais calma, mas também com algum otimismo. Na verdade são cada vez mais os especialistas que se fixam nas oportunidades que este sector tem para oferecer.

Na UBS Global Asset Management, no entanto, têm vindo a apostar no sector financeiro desde 1999, altura em que lançaram o UBS (Lux) Equity Fund – Financial Services, um fundo long only de gestão ativa com um estilo de investimento value, que investe em ações de empresas financeiras em todo o mundo.

Kevin Barker e Yvonne Thomas, estrategas sénior de ações da casa suíça, estiveram em Madrid para explicar porque é que este é um bom momento para investir neste tipo de empresas. “Para começar, tanto os bancos norte-americanos como os europeus reforçaram significativamente as suas posições de capital, pelo que esperamos que as distribuições acionistas aumentem gradualmente”, diz Barker, que conta com três décadas de experiência em investimentos.

O especialista assinala que este processo tem tido muito a ver com a maior pressão regulatória e com as novas normas impostas por Basileia III, mas também com medidas como a evolução da qualidade dos ativos bancários (AQR, nas siglas em inglês) que estão a  ser levadas a cabo pelo BCE e que já deram lugar a ampliações de capital por um valor aproximado de 80.000 milhões de euros, inclusive antes de se conhecerem os resultados, que serão públicos em outubro.

Com os dados disponíveis a 31 de julho, Barker estima que as empresas financeiras vão liderar em 2014 o crescimento em termos de EPS (Earnings Per Share) de todos os sectores do índice MSCI ACWI com uma contribuição de 25% . Para além disso, depois de vários anos de debilidade, os especialistas da UBS AM esperam que os dividendos cresçam fortemente nos próximos anos, particularmente entre os bancos europeus, onde este crescimento poderá gerar retornos próximos de 5% em 2016. Barker atribui esta expectativa à “forte cultura de dividendo que carateriza o velho continente”. Estas melhores perspetivas contrastam com as valorizações, que continuam a oferecer um desconto interessante relativamente à sua média histórica, pelo que o potencial de subida é atrativo.

Riscos a curto e médio prazo

Ainda assim,  o sector não está livre de riscos. Kevin Barker agrupa-os em riscos regulatórios, geopolíticos e de mercado. Entre os primeiros, destaca as multas por más práticas, que certos bancos têm vindo a enfrentar, tanto de um lado como de outro do Atlântico. Este ano essas coimas poderão alcançar os 50.000 milhões de dólares; este é um risco temporal que, no entanto, “parece estar a ter um impacto limitado sobre a capacidade dos bancos para ampliar capital”. Quanto ao risco geopolítico, o conflito entre a Rússia e a Ucrânia e a crescente ameaça do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS) mantém os investidores muito atentos, embora ainda não tenha afetado de forma significativa as bolsas.

Na opinião do especialista, o maior risco poderá, por esta altura, ser proveniente de um evento relacionado com a intensa procura de yield – que conduziu as rentabilidades do high yield a níveis historicamente baixos – juntamente com a baixa volatilidade histórica que o mercado regista e que sugere um elevado grau de complacência entre os investidores.

Uma carteira muito concentrada

A carteira concentra as 30 melhores ideias de um universo personalizado de cerca de 250 títulos financeiros e oferece uma elevada diversificação geográfica. Por sectores, aproximadamente 58% do fundo está investido em bancos e o resto divide-se entre seguradoras (22,9%), mercados de capitais (11,7%) e serviços financeiros diversificados (7,6%). Zenon Voyiatzis está à frente do fundo desde 2010 e conta desde maio deste ano com o apoio de Charles Burberk.

“Voyiatzis aplica um estrito processo bottom-up para selecionar empresas líderes nos respetivos sectores com robustas posições de capital e excelentes cash flows, capazes de gerar sólidas rentabilidades, tanto por via do dividendo como através de recompras de ações”, assinala Yvonne Thomas. “Os responsáveis do fundo têm evitado com êxito as empresas mais voláteis, o que contribuiu para proteger o valor do fundo durante períodos de debilidade”. Segundo dados da UBS Global AM a 30 de junho, o fundo conseguiu bater o seu grupo de comparáveis (o LGC Equity Sector Financials) a um, três e cinco anos. 

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