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Apertem os cintos de segurança: a partir de agora a “velocidade” é incerta


“A correção de mercado face aos vários desenvolvimentos não é surpreendente”. Esta é a perspetiva da J.P. Morgan Asset Management perante a última onda de volatilidade que invadiu o mercado. Vamos a factos: a yield das treasury americanas a 10 anos ronda os 2%, um nível que não era alcançado desde que a Fed começou a falar em “apertar” a política monetária, e o  Stoxx Europe 600  sofreu a maior queda diária, desde o auge da crise europeia. 

Colocando em perspetiva as razões que conduziram a este recente sell-off, a gestora lembra que o bode expiatório para estes máximos de volatilidade foi, em especial, a Europa. “A economia norte-americana tem mais ou menos vindo a corresponder às expectativas de crescimento, mas a maioria  das regiões do mundo não, e em especial a Zona Euro”. Para além do que apelidam de “alguns medos de caráter global”, existe também uma “grande quantidade de assuntos para onde olhar: Ucrânia e Rússia, Iraque, Israel e Palestina, os protestos de Hong Kong, a conclusão do tapering por parte da Fed e o problema da Ébola”.

Europa sob quarentena

Igualmente da Pioneer Investments, Giordano Lombardi, CIO do grupo, refere que a Europa é o principal ponto a vigiar por esta altura. Num documento intitulado de “apertem os cintos de segurança” o especialista recorda que na região “o risco de deflação está a aumentar e o crescimento económico é muito fraco”. A colocar uma pressão crescente numa política monetária e fiscal mais acomodatícia na Europa está, no seu entender, “a perda de momentum da economia alemã”.

Ainda que a fraqueza da Europa possa afetar a economia norte-americana, na opinião de Giordano Lombardo para os EUA as perspetivas são “mais benignas”, com o crescimento a ser consistente e o mercado de trabalho a melhorar.

Muita cautela

Olhando para o futuro, incerteza é, sem dúvida, a palavra que melhor carateriza o mercado. “Durante o verão, à medida que o bull market se foi tornando maduro, fomos adotando uma abordagem mais cautelosa na alocação”, diz a Pioneer. “Continuamos a manter uma visão construtiva nas ações, à medida que estamos à espera das medidas dos Bancos Centrais e de algumas reformas estruturais de certos países”. Daqui para a frente o caminho será traçado a partir do “foco na gestão do risco e na diversificação”, resume o  CIO.

A J.P. Morgan AM também acredita que a partir de agora vamos assistir “a um desapontamento ampliado nos mercados durante as próximas semanas e durante os próximos meses”. No longo-prazo, no entanto, a gestora acredita que “o quadro ainda é de suporte de um crescimento moderado e de investimentos com retornos positivos”

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