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Apertada agenda dos bancos centrais em dezembro: o que espera o mercado e o que poderá acontecer na realidade?


As duas próximas semanas prometem ser intensas para os investidores. Para começar, esta quinta-feira é a reunião mensal do BCE, e nela espera-se que Mario Draghi se pronuncie sobre o formato atual do QE, depois de ter insinuado na reunião de outubro que se poderia ampliar a duração da quantia das compras se fosse necessário, de forma a melhorar o nível de inflação na zona euro.

A equipa de multiativos da Pioneer Investments faz um aviso sobre o eventual risco de que se cometa um erro de política monetária, embora considerem que para isso pode contribuir a falta de  sincronismo entre os bancos centrais. Desta forma, acrescentam a possível mensagem “dovish” do BCE, os recentes cortes nas taxas de juro e o rácio de reservas bancárias do Banco Popular da China, e indicam que o Banco do Japão, embora tenha mantido o ritmo atual do seu próprio QE, propôs o seu objetivo de 2% de inflação até ao segundo semestre do ano fiscal de 2016.

A tudo isto tem de se acrescentar a possível subida das taxas de juro nos EUA no próximo dia 16 de dezembro, especialmente depois das últimas atas da Fed terem revelado claras mensagens dos membros do Comité de Mercado Aberto (FOMC) neste sentido. Da Pioneer consideram que este factor, juntamente com os preparativos na China para elaborar o próximo Plano Quinquenal “são os sinais de que o processo de transição múltiplo está a avançar apesar dos obstáculos”.

A visão da entidade é que “apesar de todos os riscos estruturais que continuam em cena – o risco de que a China descarrilhe durante a transição, o elevado nível de alavancagem especialmente nos emergentes, as dificuldades enfrentadas pela Fed ao construir a sua estratégia de saída – os motores de uma tendência de subida cíclica continuam a estar em cena”. Para os especialistas da equipa de multiativos da Pioneer, estes drivers são as condições financeiras ultra-comodatícias, os baixos preços do petróleo e a normalização gradual das políticas fiscais, especialmente na Europa, os quais consideram que continuarão presentes em 2016.

O dilema da Fed

Quem também avisa sobre a necessidade de se ser cuidadoso nos próximos meses é Philippe Waetcher, economista chefe da NAM, filial da Natixis Global AM. O especialista mostra a sua preocupação sobre a queda do comércio internacional e ainda sobre a ausência de um locomotor de crescimento a nível global: “Uma consequência imediata é que não se pode esperar um impulso forte nem duradouro do exterior. Isto é problemático para os países desenvolvidos, porque a Europa não pode esperar um contexto económico mais forte para convergir para um perfil de crescimento mais elevado. Também é doloroso para os países emergentes”, observa em primeiro lugar. A isto acrescenta uma segunda consequência, de que  “o momento de crescimento dependerá principalmente da procura interna”. Isto implica para Waechter que “com o fraco momento atual que vivemos em todas as partes, as políticas económicas continuarão a ser acomodatícias por um período extenso de tempo”. O mesmo é dizer que cada “país da zona euro terá que centrar a sua própria procura interna para crescer rapidamente”.

Todas estas razões estão na base do economista não acreditar que “uma subida de taxas pela Fed possa ser uma boa ideia num futuro imediato”. Relativamente ao possível movimento do BCE, o especialista alerta que possivelmente o vai estender mais além de 2016 e que, entretanto, as políticas fiscais de cada país “não vão restringir os comportamentos privados”, pelo que conclui que “existe a necessidade de mais coordenação nas políticas económicas”.

Os últimos a falar são os economistas da UBS AM Joshua McCallum e Gianluca Moretti, que se centram nos dados macro dos EUA, que está a vigiar a Fed para poder tomar uma decisão sobre as taxas de juro. Em primeiro lugar fixam-se na taxa de ocupação, um dos parâmetros favoritos de Janet Yellen: “O mais notável é que melhorou quase de mão dada com a taxa de desemprego. Por tanto, aqueles que não estão a procurar trabalho estão igualmente ocupados, o que significa que é provável que voltem à força laboral simplesmente porque ainda é mais fácil conseguir um trabalho. Isto significa que a baixa taxa de desemprego é, na realidade, um bom indicador do ajuste do mercado laboral”.

Relativamente aos salários, que ainda não subiram o suficiente para gerar inflação, os economistas recordam que “sempre houve um grande atraso muito grande entre um mercado laboral ajustado e os salários”. Ou seja, “os salários tendem a ajustar-se só uma vez por ano, pelo que muitos dos incrementos entre médias são provenientes das pessoas que mudam de trabalho, mas não é realmente significativo para que a média mude muito”.

Por tudo isto, McCaalum e Moretti opinam que “embora os bancos centrais pudessem esperar até que fossem evidentes a inflação e o crescimento dos salários, isso significaria que chegariam muito tarde”. Para além disso, estudando o comportamento histórico da Fed, os dois economistas concluem que o mercado nunca se comportou desta forma: “Nos últimos três ciclos de subidas, a Fed começou a subir taxas um ano antes dos salários começarem a subir”.

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