Angela Merkel vence eleições


Angela Merkel demonstrou ser sobretudo uma política pragmática e desprovida de condicionantes ideológicos importantes, capaz de converter o silêncio em vantagem, como demonstrou com este resultado. Relativamente à Europa, Merkel acredita que se o euro fracassar, a Europa também fracassa e isto resume toda a sua política europeia.

A vitória de Merkel significa mais Europa, isto é avançar para uma maior centralização das políticas económicas, impostos, orçamentos e sistemas de segurança social. No entanto, o modelo de Merkel não corresponde a uns Estados Unidos da Europa baseado em mais burocracia desde Bruxelas; Merkel prefere optar pela coordenação das políticas dos estados-membros mediante uma organização paralela na qual o Conselho da União e seu Presidente passam a exercer funções de supervisores da aplicação de políticas e dos tratados. Na realidade a visão de Merkel, embora não verbalizada como tal, aproxima-se da de David Cameron, com a salvaguarda de que os britânicos procuram a devolução de algumas competências enquanto Merkel pensa no futuro e está decidida a tornar o euro um êxito.

Merkel sai reforçada destas eleições para impulsionar esta concepção da Europa. Mas quem conhece minimamente a política alemã, sabe que não se compreende a mesma sem coligações. Portanto é igualmente relevante o resultado dos possíveis sócios de Merkel no próximo governo. Neste sentido a coligação mais provável passa pela aliança com os sociais-democratas do SPD, replicando a grande coligação de 2005-2009.

Em qualquer caso, espera-se um terceiro mandato de Merkel sem praticamente oposição e com um governo muito estável, o que corresponde ao cenário preferido pelos investidores e pelo mercado. Afasta incertezas e permite retomar a agenda da reforma europeia, que tem estado parada como consequência destas eleições. Será retomado o tema de um próximo resgate à Grécia, tema esta que foi tabu durante o período pré-eleitoral e também a questão da união bancária. Mas também desaparecerá a condescendência de que desfrutamos até agora relativamente ao incumprimento dos objectivos do défice e o atraso na aplicação das medidas acordadas com a Europa.

Cenário claramente favorável para o euro que acelerará a sua apreciação face ao dólar. Em algumas semanas devemos ver o euro em 1,38 face ao dólar. Muito positivo também para as acções e as bolsas europeias, é possível pensar em voltar a ver o Eurostoxx aproximar-se dos 3000 pontos antes do final do ano.

O resultado das eleições na Alemanha representa uma maior pressão sobre os países periféricos para o cumprimento dos compromissos adquiridos e menor flexibilidade.  

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