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Alternativos líquidos: o expertise da Schroders


“Os benefícios dos alternativos líquidos continuam a ser evidentes. A diversificação proporcionada por este tipo de ativos continua a ser grande, e faz sentido”. Foi com esta ideia que Andrew Dreaneen, head of liquid alternatives na Schroders, começou a última conferência realizada pela gestora inglesa em Portugal, que teve precisamente como mote os Alternativos Líquidos.

De forma a contextualizar o atual panorama deste tipo de estratégias, foi incisivo ao apontar três factos importantes a reter:

  1. Apesar da performance mista dos hedge funds em geral, temos vistos os ativos dos hedge funds a atingirem novos records este ano.
  2. No ano passado o hedge fund com melhor performance de acordo com o HSBC Hedge Fund Report teve 8% de subida e tratou-se de um  hedge fund de ações ligado ao sector da energia; por outro lado, o hedge fund com pior performance no ano de 2016 foi um produto macro europeu, com uma queda de 50%.
  3. Nos últimos tempos temos visto muita gente a vender hedge funds e a comprar ativos privados. Contudo, por outro lado, temos assistido a bastante procura não só por alternativos líquidos, mas também por alternative risk premium.

Perante este contexto, a Schroders apresenta-se com um provedor com capacidade para fornecer soluções no âmbito dos alternativos, e prova dessa forte envergadura crescente é a recente compra da Adveq Holding, uma entidade especializada em soluções de investimento relacionadas com private equity. “Temos 33 estratégias de alternativos líquidos, que correspondem a 8,5 mil milhões de dólares”, reforçou o profissional.

Num contexto de subida de inflação...

Matthew Michael, diretor de dívida de mercados emergentes e commodities na Schroders, começou por referir  que depois da eleição dos EUA há várias coisas que que temos de manter no radar da preocupação. “Muitos dos Bancos Centrais não vão ser capazes de subir taxas de forma assim tão rápida”, referenciou o especialista, aludindo também a uma preocupação que lhe parece essencial por esta altura: o impacto do protecionismo no pós Brexit e no pós Trump. “Muita gente nesta sala beneficiou do declínio do protecionismo nos últimos 20 anos, tirando assim partido da globalização”, recordou. Dando como exemplo o caso do alumínio nos EUA, lembrou que “no país criou-se um défice interno relativamente a este produto, pois é mais barato comprar alumínio da China ou a outros países, do que produzi-lo internamente, resultado da legislação implicada, e dos custos laborais”. “Este é um claro exemplo de como é que as políticas de protecionismo podem provocar um aumento da inflação”, referiu.

Este foi o mote necessário para o profissional responder à pergunta: O que comprar neste tipo de contexto de subida de inflação? “Muita gente teme entrar em commodities quando acredita que as taxas de juro vão subir, mas há que ter em atenção que a correlação das commodities com a inflação é mais alta do que a das Treasury Inflation Protected Securities (TIPS), e, para além disso, o retorno médio das commodities desde o início até ao final de um ciclo de subidas de taxas levado a cabo pela Fed é de cerca de 16%, o que contraria a ideia de que quando as taxas sobem as commodities caem”. Para o profissional o fundamental é a altura em que se investe em commodities: “O que é importante é estar posicionado à frente da curva, e não esperar que a inflação apareça para nessa altura se investir nas commodities”, concluiu.

Duas estratégias com a marca GAIA

Chase Mazzariello, vice presidente na Indus Capital, abordou o fundo Schroder GAIA Indus PacifiChoice, um produto “long/short de ações asiáticas que combina a seleção de valores bottom up com uma visão macroeconómica”. Investir através de um long/short na Ásia, começou por referir o profissional, justifica-se pelo facto de “serem mercados ineficientes e com uma cobertura de sell side limitada”. O fundo trata-se de um portfólio com liquidez, que capta as melhores ideias do espectro de research da indústria, e os títulos que de alguma forma estão mal avaliados pelo mercado. Essas ideias no portefólio são, contudo, “verificadas” através de visitas às empresas. Por ano, o número de reuniões com companhias ronda as 4.000, e o processo de reavaliação das empresas é apelidado de “contínuo”. Em termos de alocação de ativos destacou o peso do Japão em carteira, preponderância suportada essencialmente pela “implementação de cada vez melhores práticas de corporate governance nas empresas do país”. Destacou também “a perspetiva positiva de longo prazo que têm na Índia”, por causa das “entusiasmantes políticas demográficas implementadas no país”.

Também long/short é o fundo cuja apresentação foi executada por Matt Kelley, principal, business developer e diretor de research na Sirios. O Schroder GAIA Sirios – com um enfoque em ações de empresas de média e grande capitalização maioritariamente dos EUA – é um fundo UCITS que “apresenta um retorno anualizado líquido próximo de 8%, “o que representa quase o dobro do S&P500”. Factor diferenciador destacado por Matt Kelley foi “o facto de o fundo criar alfa tanto na parte longa, como na parte curta, o que o destaca bastante face a outros hedge funds norte-americanos”. Particularidade realçada foi ainda o facto de o produto poder investir em fixed income “de uma forma muito seletiva”, como aconteceu por exemplo aquando da bolha das telecoms no início do século - altura em que ficaram curtos nas obrigações destas empresas – ou ainda em 2011, no rescaldo da crise financeira e da crise das dívidas soberanas, quando investiram por exemplo em obrigações de bancos, em ações preferenciais e ainda em warrants.

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