Alocação de ativos para os próximos meses: precaução, descorrelação e gestão de liquidez


No início de 2015 não restavam dúvidas. As ações eram vistas pelas entidades nacionais como o grande ativo a considerar no novo ano. Entre os factores que suportavam essa preferência estavam o crescimento económico global, os bons desempenhos das empresas, a atratividade dos múltiplos dos preços e o apoio dado pelas políticas monetárias.

Contudo, volvidos mais de sete meses de 2015 o cenário mudou ligeiramente. O mercado bolsista encareceu e começaram a levantar-se especulações sobre eventuais bolhas. No final de abril/princípio de maio, as ações norte-americanas atingiram níveis elevados e Janet Yellen chegou a alertar para os eventuais problemas que daí poderiam advir. Também a situação na bolsa chinesa, no final de junho e início de julho, foi mais um duro golpe para este tipo de ativo, embora as gestoras internacionais tenham alertado para o contágio limitado para os restantes mercados acionistas.

Na definição da alocação de ativos que as entidades nacionais relataram à Funds People para a restante metade do ano, sente-se alguma precaução nas escolhas que fazem. Inevitavelmente as ações continuam a ser a classe de ativos preferida e mais nomeada, mas a palavra “cuidado” consegue ler-se nas entrelinhas.

Entidades neutrais em ações e a assumirem menos risco

Da CA Gest e do Banco Carregosa, por exemplo, contavam à Funds People que para o resto do ano de 2015 estão neutrais em ações. Da primeira entidade explicavam que “apesar das políticas monetárias a nível global permanecerem regra geral acomodatícias”, continuam a estar neutrais no campo das ações. A este nível indicam a preferência pela Europa, pois é “onde os múltiplos de mercado parecem mais razoáveis”. No caso do Banco Carregosa, assumiam também que na restante metade do ano estão neutrais em relação às ações, assumindo uma “exposição a ações em linha com o benchmark para cada perfil”.

O Banco Best, por seu lado, também dava conta de alguma prudência no campo das ações. Afirmavam que embora continuem com uma sobreponderação a ações “reduziram um pouco a exposição ao risco”.

Na mesma lógica, da Millennium Gestão de Activos afirmavam que continuam a ver valor na manutenção de uma sobre-exposição a ativos de risco, ao mesmo tempo que entendem que “o aumento da volatilidade altera a atratividade relativa dos diferentes ativos” e, por isso, dão conta de um valor mais modesto na sobre-exposição referida.

No campo das ações, em termos gerais, as casas nacionais preveem um melhor desempenho dos mercados desenvolvidos, destacando-se a Europa e o Japão.

Perante as considerações acima descritas, torna-se evidente que as obrigações são a classe de ativos mais “melindrosa” para as gestoras, e aqui as opiniões dividem-se. A CA Gest, por exemplo, explica que neste semestre do ano estarão mais positivos em relação à dívida soberana em detrimento da dívida empresarial, estando construtivos na periferia europeia. Por seu turno, do Banco Best salientam que neste domínio passaram a deter uma “componente de obrigações com taxa variável”.

Outros pontos chave: Gestão de liquidez e descorrelacionar

Para lá do investimento em ações ou em obrigações, das entidades salientam outros focos a reter na alocação de ativos nos restantes meses de 2015. Da Banif Gestão de Activos chegava por exemplo uma das ideias que tem sido veiculada por muitas das gestoras internacionais como um ponto fulcral a considerar: a gestão da liquidez. Nas perspetivas para o resto do ano sublinhavam assim “a importância do factor liquidez nos ativos, que deverá ser fundamental em qualquer estratégia de asset allocation”.

A entidade, tal como o Banco Privado Atlântico Europa, chamavam ainda a atenção para outro conceito importante na tarefa da alocação de ativos nos próximos seis meses: descorrelacionar. Desta última casa realçavam a alocação a instrumentos alternativos, “de forma a reduzir a volatilidade e direccionalidade das carteiras, e a obter alpha (retorno) de forma menos correlacionada”.

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