Alguns dados que deveriam servir para tranquilizar os investidores em fevereiro


Fevereiro nos mercados financeiros começou de maneira muito diferente. Ao contrário do arranque de janeiro, a calma foi, desta vez, a protagonista. É incontornável que janeiro foi um mês nefasto para os mercados de ações, que sofreram o pior arranque de ano desde a hecatombe de 2008. As quebras nos mercados de matérias-primas, a crise nos mercados de ações chineses e as eleições nos EUA são factores que têm tido impacto no nervosismo dos investidores e que levaram muitos a perguntarem-se se estaremos numa situação semelhante à de há oito anos atrás. Para cada um dos problemas que provocaram as quedas nas cotações, existem dados que deveriam servir para tranquilizar os investidores em fevereiro, já que algumas incertezas começam a dispersar-se.

1. A quebra do preço do petróleo.

A crise de 2008 caracterizou-se pela queda do preço dos preços das matérias primas, em consequência de uma débil procura que antecedeu uma crise económica. No entanto, nesta ocasião, os preços recuaram em resposta a um excesso de oferta. Prova disso, são os fortes movimentos do preço do petróleo na semana passada, motivados pelos rumores de que a Rússia e a OPEC poderiam reduzir a sua produção. Segundo a J.P.Morgan AM, este comportamento comprova que foi a oferta global de petróleo – não uma procura debilitada – que esteve por detrás dos recentes movimentos nos preços do petróleo. “As futuras alterações ao nível da oferta, resultantes de negociações internacionais e dos custos de equilíbrio de exploração, serão difíceis de prever no curto prazo. Mas o que sabemos é que a procura global de petróleo tem estado em expansão durante os últimos cinco anos. O crescimento contínuo desta procura indica que a economia está em boa forma”. (Gráfico 1: fonte J.P.Morgan)

2. A crise nos mercados de ações na China.

Segundo Matthew Sutherland, diretor de gestão de produtos da Fidelity para a Ásia, assumir que as quebras do mercado de ações A respondem a uma perspetiva privilegiada sobre alguma debilidade da economia chinesa é uma ideia equivocada. “Não existe tal correlação. Não há razão para pensar que os fundamentais justificam a queda do mercado, ou sequer a subida. A bolha nas ações A ainda não acabou de encolher e tem que o fazer completamente. Este processo está a acontecer presentemente, mas ainda não está concluído. O PER do CSI 300 é agora de 11,3 vezes, enquanto que no índice MSCI China (representativo do mercado externo) é de 9,5 vezes. Não se pode considerar a bolha definitivamente ajustada enquanto os PER não estejam ao mesmo nível. Isto é algo que ocorrerá em breve, a este ritmo”.

O Deutsche AM não vê motivos para pânico. Apesar de reconhecerem que os mercados de ações chineses estão debilitados, entendem que as oscilações do mercado se enquadram “num processo a longo prazo para a liberalização do mercado de capitais” e esperam que se mantenha a volatilidade, já que “os ativos que cotam no mercado doméstico continuam a ser impulsionados pela procura por parte de investidores privados e pelas condições impostas pelo estado, mais que pelo seu valor”. Mike Shiao, diretor de investimento da Invesco na China, considera evidente que o governo está a aprender a construir um mercado mais estável e robusto. Na sua opinião, a queda do mercado de ações A na China “responde ao pânico dos investidores chineses que optaram por alienar as suas posições perante o risco de se verem encurralados no sistema de circuit breaker implementado pelas autoridades, sobretudo depois da dolorosa experiência vivida durante o verão passado”.

Para os especialistas, o que se está a suceder na economia chinesa não tem uns contornos tão dramáticos. O país está a abrandar, não a imobilizar-se, e reorientando a sua economia para um modelo baseado na procura interna. O impacto que isto tem nas economias desenvolvidas é outro tema. Alguns especialistas quantificam em meio ponto, o impacto que a China pode ter no PIB norte-americano. O prejuízo potencial na Europa será maior pela caída das exportações. (Gráfico 2: fonte Fidelity)

3. Eleições nos EUA. 

O terceiro ponto de incerteza - e talvez o que menos se tem falado – é o processo eleitoral para a Casa Branca. Das três grandes questões referidas neste artigo, talvez seja a que se vislumbra como mais incerta. As razões deste nervosismo resultam de sondagens favoráveis a candidatos republicanos menos convencionais, do lado republicano (Donald Trump e Ted Cruz),  e da escassa distância entre Hillary Clinton e Bernie Sanders, do lado democrata. Segundo Robert Wescott, ex-assessor económico de Bill Clinton e atualmente presidente da Keybridge e membro do Conselho de Assessoramento Macroeconómico da Pioneer Investments, “esta é uma situação relativamente nova, já que normalmente as propostas dos candidatos se movimentam numa banda de expectativas relativamente estreita”.

A pergunta que se impõe é: as eleições nos EUA deverão ter impacto na tranquilidade dos investidores? Pois, pelo que dizem as sondagens, Donald Trump como novo inquilino da Casa Branca é uma hipótese cada vez menos irreal. Segundo as projeções, Clinton e Trump lideram o caucus do estado de Iowa. Se ambos os candidatos se enfrentassem hoje nas eleições gerais, o resultado seria um impacto técnico, segundo a última sondagem do instituto de investigação Ipsos dos EUA. Por isso, a incerteza existe e parece pouco provável que se dissipe em Fevereiro.

 

 

Fonte: Predictit.org. Gráfico fornecido por Pioneer Investments.

 

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