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"Abeconomia" – o Banco do Japão passa das palavras à acção


Quando assumiu funções em Dezembro de 2012, o primeiro-ministro Shinzo Abe propôs um conjunto alargado de políticas económicas destinadas a estimular a economia japonesa. O programa do Partido Liberal Democrata assentava em três pilares: política monetária expansionista arrojada do banco central, política orçamental flexível e medidas de estímulo orçamental e reformas estruturais para fomentar o crescimento económico. Restava saber até onde o primeiro-ministro Abe iria avançar com os três pilares do programa – um tópico que tem gerado acesos debates.

O mais recente anúncio do Banco do Japão (BoJ) revelou claramente aos investidores que o governo japonês não hesitará em fazer cumprir os seus objectivos. O Banco do Japão fez substituir a taxa 'overnight' pela base monetária enquanto principal objectivo das operações no mercado monetário.

O banco central pretende duplicar a base monetária para 270 biliões de ienes até ao fim de 2014, o que se traduz num estímulo monetário de cerca de 1,4 biliões de dólares.

O programa de compra de activos centra-se sobretudo em dívida pública japonesa. O plano prevê a compra de 50 biliões de ienes em dívida pública, anualmente, com maturidades que podem atingir os 40 anos. Desta forma, a maturidade média das compras de dívida pública japonesa sobe dos quase três anos para cerca de sete anos.

As aquisições adicionais de ETF (fundos-índice transacionados em bolsa) e J-Reits (fundos de investimento imobiliário) servem um duplo objectivo: dar um estímulo positivo aos mercados accionistas e imobiliários e expandir a base monetária. O anúncio de medidas monetárias tão profundas constituiu uma surpresa para muitos investidores. Torna-se, assim, evidente que o Banco do Japão está determinado a atingir a meta dos 2% de inflação (anunciada em Dezembro último) num futuro muito próximo.

Implicações para os investidores

Obrigações e dívida

Com a intervenção do BoJ, o mercado de obrigações japonês recebe uma injeção massiva de capital durante estes próximos anos. As compras de activos conduzirão a um 'bull flattening' continuado no segmento de longo prazo da curva. As taxas de rendimento permanecerão baixas em todo o espetro de maturidades durante muito tempo. 

Divisas

No nosso entender, o iene japonês deverá continuar a desvalorizar. Recomendamos aos investidores que ponderem um iene mais fraco no seu posicionamento estratégico mas que tenham uma visão táctica quando optimizarem a sua entrada no mercado.

Acções

O mercado accionista do Japão disparou na sequência das medidas anunciadas pelo banco central. As acções das empresas orientadas para o mercado interno apresentaram um melhor desempenho, ultrapassando as ações das empresas exportadoras. Ainda assim, estas últimas deverão beneficiar da esperada descida do iene. O sector imobiliário também deverá ser afectado positivamente pelas políticas reflacionárias. Nos últimos anos, os investidores estrangeiros mantiveram uma subponderação em acções japonesas ou abandonaram por completo o Nippon. O seu regresso poderia dar um novo impulso à bolsa de valores de Tóquio. Atendendo à esperada debilidade do iene, os investidores estrangeiros em acções japonesas devem prever uma cobertura de risco cambial.

Empresas

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