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“A volatilidade faz parte do processo de construção das carteiras”


A construção dos portefólios multiactivos apresentada por Gregor Hirt, head of multi-asset Europa na Schroders, é feita com base na alocação de risco mais do que na alocação de capital, o que constitui uma inovação no âmbito da gestão de carteiras. Contudo, não há dúvida que a crise demonstrou as limitações da diversificação por classes de activos e permitiu o maior interesse neste tipo de estratégias. A estratégia, em si, passa pela identificação dos prémios de risco e dos respectivos ‘underlines’ de cada um deles. Além disso, salienta-se que a volatilidade entra no próprio processo de construção, sendo interpretada não só como subjacente de classes de activos como também como “activo” ao qual se pretende ter exposição através da constituição de posições longas ou curtas. 

Quatro categorias de prémios de risco: crescimento, inflação, duração e estratégias

Na categoria crescimento agrupam-se os prémios de risco de mercado que tendem a gerar retornos num ambiente de crescimento positivo. Incluídos nesta categoria estão os prémios de risco associados a regiões de grande capitalização (EUA, Reino Unido, Europa, Japão, Bacia do Pacífico, Mercados Emergentes) e prémios de risco do mercado de crédito local (por exemplo o retorno em obrigações ‘investment grade’ ou ‘high yield’ dos mercados norte-americano ou europeu relativamente ao rendimento das suas emissões soberanas.

Na segunda categoria, inflação, os prémios de risco de mercado fornecem, normalmente, retorno positivo em cenários inflacionários (incluindo estagflação). Estes prémios de risco incluem os quatro dos principais sectores de ‘commodities’ - petróleo, agricultura, metais industriais e ouro, juntamente com obrigações indexadas à inflação, tais como US TIPS (em relação às ‘treasuries’).

A terceira categoria relaciona-se com a ‘duration’ e este tipo de prémios de risco actua bem num enquadramento de queda das taxas de juro e, por isso, inclui todos os principais mercados de títulos soberanos (EUA, Reino Unido, Europa, Japão, Canada, Austrália) e obrigações de mercados emergentes.

A última categoria denominada por estratégias de prémios de risco inclui os prémios que são conduzidos por outros factores de risco sistemático, incluindo factores de comportamento. Actualmente, inclui: 'equity small cap risk premium’, ‘equity value risk premium’, ‘trend risk premium’, ‘forex carry risk premium’ e ‘volatility risk premium'.

Inicialmente, a construção da carteira parte de uma alocação equitativa entre as categorias enunciadas. “Partimos de um pressuposto agnóstico e neutro de que nenhum grupo de prémios de risco tem um rácio de ‘Sharpe’ superior ou inferior à outra. Portanto, o risco da carteira divide-se de forma igual, com um peso de 25% em cada categoria. Depois, em cada, há subdivisões na alocação consoante os diferentes prémios de risco e a exposição é calculada com base na volatilidade como subjacente de cada prémio de risco. Para isto são usados diversos critérios como avaliação dos componentes, o ‘momentum’, a dinâmica, reversão à média, etc., explicou Gregor Hirt. 

Estratégias de cobertura

Quando a equipa gestora considera que o risco de cauda se está a tornar significativo (por exemplo uma queda de mercado superior a 10%), pode recorrer ao orçamento específico para risco, implementando estratégias de cobertura. São usados indicadores quantitativos e qualitativos para avaliar este tipo de risco, incluindo através de modelos próprios. Revêem medidas como a inclinação ou forma da curva nos mercados de futuros sobre o VIX (índice de volatilidade), posicionamento dos participantes do mercado no VIX e opções, os níveis de volatilidade implícita. Também usam um ‘output’ do modelo próprio que foi desenvolvido como o indicador futuro que permite identificar um início de subida dos níveis de ‘stress’.

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