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A visão de um especialista em dívida, sobre o BCE e as Obrigações do Tesouro de Portugal


Perante uma conjuntura económica singular que tem exigido medidas pouco convencionais por parte de alguns bancos centrais, Ian Stealy, gestor da J.P. Morgan AM de mercados de obrigações destaca “uma preocupação a nível global relativamente aos bancos centrais e à eficácia da sua política”. Num contexto em que as taxas de algumas das principais economias a nível mundial chegaram aos níveis mais baixos do que alguma vez se pensou que poderiam chegar – chegando inclusive a território negativo - os balanços do bancos centrais atingiram dimensões recorde e o quantative easing é já considerado um instrumento normal de política monetária, poderíamos pensar que os banqueiros centrais estariam perto de chegar ao limite do que poderão fazer para estimular a economia. No entanto, Iain Stealy não vê as coisas desse modo. “Eu acho, efetivamente, que os bancos centrais podem ser bastante criativos e vão sempre ter instrumentos ao seu dispor”, destaca o gestor acrescentando que “nunca tínhamos experienciado o quantative easing anteriormente e o mesmo acontece com as operações de refinanciamento de longo prazo (LTRO) e compras de dívida soberana (OMT), novas ferramentas de política monetária que os bancos centrais arquitetaram”.

“Uma grande diferença entre o BCE de hoje e o BCE pre-Draghi passa por uma atitude mais proactiva, que antes seria mais reativa. Acredito sinceramente que está muito mais alerta para as implicações das decisões no mercado e tem em consideração a dinâmica do mesmo, procurando limitar a volatilidade. O BCE não vai estar permanentemente a antecipar tudo, e Mario Draghi já chegou mesmo a dizer que quer ser reativo e não sobre-reativo. No entanto eu acredito que vai continuar a ser mais proactivo”, conclui Iain.

Portugal e as OTs

“O bottom line é: ninguém quer passar novamente pelo sofrimento de há alguns anos”, começa assim Iain a falar do tema, esclarecendo que “podemos observar algum relaxamento da austeridade”. “É assim permitido algum estímulo, mas na periferia da Europa vai sempre haver um enviesamento para manter vivo o projeto do Euro e tentar manter as yields baixas e isso significa trabalhar com o BCE e os líderes europeus nesse sentido. Estou certo de que esse será o caso. Portugal está a crescer, Espanha e Itália também, o desemprego está a descer e todos vimos o que aconteceu na Grécia quando se afastaram do projeto europeu”.

Com dívida portuguesa na carteira do fundo, nomeadamente Obrigações do Tesouro a 10 anos, Iain segue de perto o que se passa no mercado nacional. Perante a recente subida das yields e consequente descida do preço dos ativos em carteira, o gestor comenta: “eu acho que o que se está a passar agora está já incorporado no preço. Enquanto continuar a existir um foco no longo prazo, e as regras continuarem a ser seguidas, toda a gente ficará contente”. 

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