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A última grande decisão de Bernanke


Aquela que foi uma das últimas decisões de Ben Bernanke no comando da Reserva Federal Americana foi tomada ontem e confirmou as expetativas iniciais: os EUA vão começar a reduzir o seu programa de estímulos à economia já a partir de janeiro.

A partir do início do ano a Fed vai passar a comprar 35 mil milhões de dólares em títulos hipotecários por mês em vez dos atuais 40 mil milhões. No que diz respeito à compra de obrigações do tesouro o valor irá baixar para 40 mil milhões de dólares.

Dados a fortalecerem a economia americana

Para Rick Rieder, responsável da área de obrigações da BlackRock, esta decisão é “um passo na direção certa”,  já que “existem evidências de que o mercado de trabalho está fortalecido”. Na mesma linha de pensamento Keith Wade, Economista-chefe, da Schroders, considera que “já existem sinais de que os salários estão a responder à queda do desemprego. Os principais indicadores demonstram também que o mercado de trabalho se está a consolidar

O especialista da gestora inglesa refere mesmo que o banco central reforçou o seu “forward guidance relativo às taxas de juro, afirmando que os valores atuais das taxas serão para manter”, estando atualmente próximas de zero. Desta forma, enquanto a taxa de desemprego não baixar dos 6,5% e a inflação não ultrapssar os 2% as taxas irão manter-se. Ainda assim, se se ultrapassar estes valores, a Fed terá de fazer uma nova análise antes de decidir aumentar a taxa de juro.

Impacto nas obrigações

Nas obrigações, Rick Rieder, acredita que a decisão não terá um grande impacto “porque ainda existe uma grande quantidade de “easy money” em todo o sistema financeiro”. O especialista prevê mesmo que “as obrigações do tesouro a 10 anos aumentem até 3,25% até meados do próximo ano. Os spreads no sector high yield, comercial e hipotecário e de outras asset backed securities, tal como as obrigações 'municipais' de longo-prazo vão continuar melhores do que o Tesouro”.

Keith Wade, da Schroders, apreciou a cautela de Bernanke “depois  das experiências nos últimos anos”. No entanto acredita que há agora uma oportunidade de recolocar a economia no caminho certo e numa nova fase de crescimento.

Para Cosimo Marasciuo, director de Obrigações Soberanas Europeias e divisas da Pioneer Investments, a “grande interrogação diz respeito à capacidade da FED conseguir gerir o tapering da melhor forma”. A entidade acredita que “as decisões a tomar estão muito dependentes dos dados e que o mercado será conivente em todo o processo”. O próximo ano, para a Pioneer, será uma ano de transição e com valores de volatilidade semelhantes a 2013. 

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