"A transição do modelo económico chinês, mantém-se uma equação de difícil resolução"


A economia global continua a evidenciar sinais de desaceleração até final do ano, tendo o FMI revisto em baixa a projecção do crescimento mundial para 3,1% (vs 3,3% estimativa anterior), reflectindo essencialmente o contexto de maior incerteza que continua a vigorar sobre as economias emergentes – quer ao nível da desaceleração gradual do PIB real da China (+6,7%), quer ao nível da fragilidade relativa do mercado de commodities.

No bloco desenvolvido, continuamos a assistir a uma efectiva divergência do ciclo macro e monetário significativo - nos EUA o nível de actividade permanece robusto (queda do desemprego, crescimento salarial acima da inflação e apreciação muito relevante do mercado de Housing), traduzindo um agregado de factores que poderiam já ter conduzido o FED a iniciar o processo de normalização monetária, não fosse a fragilidade da envolvente externa. Já na Europa, os progressos alcançados com o início da política de QE (Março 2015) parecem-nos ainda insuficientes (apesar da relativa compressão de spreads e abertura de crédito), tanto mais que o cumprimento do único mandato do BCE - inflação de longo prazo em torno de 2% - afigura-se uma mera quimera, situação que leva o mercado a descontar, no curto prazo, um previsível incremento das políticas de estímulo monetárias.

A instabilidade no bloco emergente eclodiu, sobretudo, com a perspectiva de arrefecimento económico na China e que penalizou de forma significativa a generalidade dos índices accionistas, tendo o Shangai Compósito desvalorizado quase 40% desde os máximos relativos. Acreditamos que este desempenho deveu-se essencialmente à compressão do excessivo nível de alavancagem inerente à economia Chinesa, pelo que este efeito acaba por ser saudável no longo-prazo e terá um impacto relativamente limitado no PIB Chinês em função da menor participação relativa dos agentes económicos (Governo, Households e Empresas) no mercado de capitais local. A transição do modelo económico Chinês – mitigação de exportações de mão-de-obra barata para o reforço da economia interna e exportação de maior valor acrescentado - mantém-se uma equação de dificíl resolução, ainda que os drivers demográficos e a inexorável expansão da classe média conferem factores de suporte de longo-prazo. 

Ao nível das diferentes classes de activos, mantemos um view neutral para a dívida risk free – US Treasuries e Bunds – e no mercado de dívida corporativa temos preferência pelo segmento High Yield Europeu, uma vez que este deverá continuar a beneficiar do efeito concomitante em torno do expectável pick-up da actividade na Europa e do contexto de taxas de juro historicamente baixas, o que minimiza o risco de crédito neste segmento de dívida corporativa.

No mercado de acções, mantemos a nossa visão favorável para a generalidade dos índices accionistas até final do ano, uma vez que consideramos o movimento correctivo verificado entre Agosto/Setembro excessivo em relação ao nível dos principais múltiplos fundamentais, bem como em relação ao estágio do ciclo económico global relativamente benigno. Em termos tácticos, a perspectiva de suavização dos riscos nas economias emergentes leva-nos a preferir a exposição a índices/sectores de perfil essencialmente exportador e cíclico, entre os quais o índice germânico DAX e o sector Automóvel são casos paradigmáticos. Não obstante, o significativo rally protagonizado pela generalidade dos índices accionistas no mês de Outubro acaba por penalizar o binómio risco-retorno no curto prazo, ainda que a nossa visão identificada supra, num prazo mais alargado, permanece globalmente intacta.

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