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A tendência é clara: 95% dos fluxos dirigiram-se a 20% dos fundos mais baratos


Os investidores pagam cada vez menos pela gestão de fundos de investimento. Pelo menos nos Estados Unidos. Um novo relatório da Morningstar publicado há alguns dias revela que o “asset-weighted expense ratio” – uma medida que permite comparar de forma homogénea fundos com patrimónios muito diversos – dos fundos do mercado norte-americano passou de 0,76% em 2009 para os 0,64% em 2014 (o universo analisado inclui fundos de investimento e produtos cotados excluindo  fundos de mercado monetário e fundos de fundos). No entanto, esta queda não está tão relacionada com o facto dos fundos terem baixado as suas comissões, tendo mais a ver com o facto dos investidores estarem cada vez  mais inclinados para os fundos de baixo custo.

Como explica, Michael Rawson e Ben Johson, autores do documento, os fundos de baixo custo captaram fluxos a um ritmo maior do que os produtos mais caros, o que logicamente acabou por reduzir o rácio acima referido: “Os fundos e ETP cujas comissões se situam no quintil mais barato captaram conjuntamente aproximadamente três biliões de dólares na última década, face aos 160.000 milhões captados pelos fundos situados nos outros quatro quintis. Ou seja, 95% dos fluxos dirigiram-se aos fundos 20% mais baratos”.

Nesse quintil aparecem em lugar destacado os produtos de gestão passiva, que passaram a representar 13% dos ativos do universo analisado pela Morningstar em 2004 para concentrar cerca de 28%, em 2014. Mas a preferência pelo low cost não se limita aos fundos que replicam índices (index funds) ou aos ETF, já que dentro dos fundos de gestão ativa, o quintil mais barato recebeu 1,07 dos 1,13 biliões de dólares de novos fluxos líquidos da última década, assinala o relatório. 

Guerra de classes

Para além da migração em massa para os fundos mais baratos, o relatório revela ainda que os investidores estão também a fazer uma rotação para classes de ativos mais baratas, como por exemplo as institucionais, uma tendência que tem sido impulsionada por vários factores. Por um lado, aumenta o número de consultores financeiros que recorrem a contas globais para agrupar distintas contas individuais e assim poder aceder-se às classes institucionais. Outros – principalmente os consultores independentes que cobram pelos seus serviços – optam por ETF e classes de ativos “limpas” de forma a evitar o pagamento de comissões. Por último, os planos de contribuição definida representam uma percentagem cada vez maior de ativos dos fundos, o que está a movimentar grandes quantidades de dinheiro para classes de ativos mais baratas.

Comissões mais baixas...mas mais receitas por comissões

O relatório também mostra que, em geral, as gestoras contam com linhas de produtos low-cost que têm ganho quota de mercado nos últimos cinco anos. Destaca a Vanguard, que conta com o asset-weighted expense ratio mais baixo do grupo analisado (0,14%), tendo sido a firma que mais quota ganhou no período 2009-2014 (4,1%). A J.P. Morgan Asset Management, por seu lado, foi a terceira gestora que mais aumentou a sua quota de mercado no período, apesar de ser a que cobra o rácio mais alto (0,78%).

Como se pode observar na tabela, embora a maioria das grandes casas tenha reduzido os seus rácios de custos nos últimos cinco anos, o relatório  clarifica que em muitos casos esta queda deve-se ao facto dos ativos geridos terem alcançado níveis predefinidos nos folhetos correspondentes, uma medida desenhada para transferir parte das economias de escala dos fundos para os investidores. No entanto, enquanto o rácio de custos se reduziu para o conjunto das categorias de fundos em 27% na última década, os ativos geridos aumentaram cerca de 143% no mesmo período e as receitas por comissões cerca de 78%, pelo que a Morningstar conclui que as grandes beneficiadas deste crescimento patrimonial foram as empresas e não os investidores. 

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