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À procura de yields positivas? Rumo às obrigações corporate investment grade


Muitas vezes talvez possa parecer demasiado generalista – e redutor – acreditar que estão efetivamente esgotados o valor e a atratividade ao nível das obrigações. Karsten Rosenkilde, senior portfolio manager for investment grade credit e responsável pelo fundo Deutsche Invest I Euro Corporate Bond, do Deutsche AWM, aparenta ser um desses otimistas, que acredita no poder da seleção.  “Com quase um terço das obrigações governamentais denominadas em euros com yields negativas, os investidores institucionais são obviamente forçados a procurar alternativas. O crédito investment grade é uma dessas áreas, especialmente ao nível da dívida de empresas. Sobretudo para os fundos de pensões e para as seguradoras, as obrigações governamentais já não são um investimento ‘viável’ de forma a darem resposta às suas responsabilidades”, referiu no início da conversa com a Funds People, numa recente vinda a Lisboa.

Bolha no investment grade?

Convicto de que efetivamente, por esta altura de mercado, as Investment Grade Corporate Bonds são uma das alternativas, o especialista vincou o “seu rating favorável”, destacando que, neste sentido, “os investidores institucionais estão a abandonar não só as obrigações governamentais, mas também as covered bonds, que o BCE também está neste momento a comprar”. Para os mais ‘desconfiados’, Karsten Rosenkilde assegura mesmo que “não se está a assistir a uma bolha especulativa” ao nível do investment grade, apesar dos baixos níveis das yields. A comprovar essa tese, diz estar o “elevado número de emissões a que se assiste no mercado a este nível, protagonizadas especialmente por empresas norte-americanas”. Na lista de exemplos, aponta empresas como a Procter & Gamble, CoCa Cola, a Apple ou a Microsoft.

Nesta tão em voga “procura por yield”, o Senior Portfolio Manager admite que “existem investidores não só a optarem por títulos com notação de crédito mais baixa – de BBB ou BB – mas ainda outros que também estão a descer na estrutura de capital, investindo em dívida subordinada”. Embora comummente este último movimento possa parecer estranho, o profissional lembra que atualmente este tipo de dívida “tende a ser mais líquida”, existindo um crescente número de emissões, provenientes de empresas de vários sectores.

Preferência pela Europa e pelas financeiras

É a partir destas “linhas mestras”, que rapidamente Karsten Rosenkilde chega às principais considerações sobre a alocação do Deutsche Invest I Euro Corporate Bond, do qual é responsável. “No presente gostamos de comprar obrigações de empresas europeias, mas denominadas em dólares, porque se verifica um alargamento dos spreads, comparativamente com as denominadas em euros”.  Outra das preferências passa por bancos europeus. “Estão a tornar-se cada vez mais regulados e transparentes por causa dos testes de stress realizados ao sector”, justifica, acrescentando que em carteira têm a mesma sobreponderação ao sector financeiro que o benchmark do fundo, embora com diferenças em termos de duração. Igualmente, também a exposição aos restantes sectores ‘coincide’ com o índice de referência, existindo no entanto disparidades no risco assumido. Nos últimos 12 meses, o fundo conseguiu um retorno de 8,2%.

Em tom de conclusão, o especialista voltou a reforçar a sua ideia inicial: “Se querem obter yields positivas devem estar atentos ao universo investment grade”, especialmente as emissões corporativas, recomenda, lembrando que hoje em dia “existem muito poucas áreas com atratividade”. 

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