A minha experiência no mundo dos Hedge Funds (Parte I)


A Funds People pediu-me para escrever um artigo sobre Hedge Funds. Como a origem desta industria é anglo saxónica eu vou usar alguns termos em Inglês mas como estas linhas se destinam a investidores profissionais não penso que seja deslocado:

Umas palavras sobre os Hedge Funds

São fundos que na sua origem têm como objectivo ganhar dinheiro para os seus clientes em todos os cenários de mercado. O Hedge Fund típico é o Fundo Macro, que tem uma grande latitude para fazer investimentos, podendo utilizar diversos instrumentos ou até mesmo não estar investido de todo. Um dos exemplos mais famosos é o Hedge Fund “Quantum” do senhor George Soros que ganhou muito dinheiro para os investidores fazendo especulação em moedas, taxas de juro, acções e até mercados emergentes, entre outros.

O que os define (aos hedge funds) é serem fundos sem mandato, ou seja, não têm obrigação de fazer nada e podem fazer tudo, o único objectivo é mesmo ganhar dinheiro. São especulativos e oportunistas.

Eu faço parte de uma equipa do BPI dedicada a estudar, visitar e investir neste sector. Desde que começámos há 16 anos em 1999 esta indústria passou de um nicho desconhecido da maior parte dos investidores para se transformar  num sector com mais de 2,75 triliões de USD em activos sob gestão (ver gráfico do HFR, Hedge Fund Research). Hoje em dia todos os investidores profissionais já investem em Hedge Funds e os clientes dos “Private Banking”, que foram os primeiros a descobrir esta classe, continuam investidos (Clientes de Alto património).

Com este montante sob gestão tão grande já não é possível todo o sector dar resultados espectaculares e o que acontece actualmente é que há certas áreas que têm funcionado muito bem e outras menos bem. A consequência disto é que já não é possível comprar a classe toda e obter resultados inacreditáveis; esta é a minha primeira constatação (aliás esta é a razão da existência da nossa equipa, não basta comprar Hedge Funds, é preciso conhecer e ter uma estratégia como em quase tudo no mundo dos investimentos).

“Para se ter sucesso no mundo dos Investimentos basta ter um Bullshit detector

Market wisdom”

Para se medir o desempenho desta indústria existem alguns índices que servem de referência. Estes dividem-se em duas categorias: os “Investable”, que são fundos onde é possível replicar os retornos e em que todos os Hedge Funds membros do índice estão abertos para receber novos investidores, e os “Non Investable” que servem apenas de referência. No mundo dos Hedge Funds é normal existirem fundos que não aceitam mais investidores e em alguns casos que já não aceitam mais reforços dos investidores existentes. Estes são considerados fundos fechados.

Um exemplo de um fundo fechado em que o BPI está investido é o “Moore Macro Managers“. Neste caso nós gostaríamos de aumentar a nossa participação mas como o fundo está fechado ficamos numa lista de espera. No caso de existir algum investidor que saia do Fundo os investidores que estão na lista de espera serão contactados. Nos Fundos fechados compensa ter o nome sempre na lista pois quando se é contactado podemos sempre passar a vez.

(Leia na próxima semana a segunda parte do artigo elaborado por Francisco Carneiro)

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