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“A instabilidade política atual está a ser lida como um fim de ciclo político”


A instabilidade política no Brasil perdura desde os momentos pré-eleitorais em final de 2014. Desde então ficou bem patente que o prolongar do ciclo político PT/Dilma no poder seria um fator de agravamento do “risco país”, contribuindo para saída de investidores dos mercados brasileiros de dívida e ações.

Tomando a presidente Dilma posse para um novo mandato logo em Janeiro 2015 e sendo evidente o bloqueio político a qualquer reforma ou consolidação fiscal, o Brasil tornou-se um dos mais consensuais underweight entre os mercados emergentes. Isso ficou bem patente na depreciação do real brasileiro, a pior moeda em 2015, perdendo 33% contra o dólar americano e mais de 25% contra o euro.

O forte movimento de reversão que assistimos este ano tem uma componente emotiva muito forte, que só se entende pelo posicionamento extremo de partida: havia muitos short Brasil e um underweight muito agressivo a este país. A instabilidade política atual está a ser lida como um fim de ciclo político, há muito ansiado, que abre a possibilidade de haver novos protagonistas que possibilitem a implementação de algumas reformas que melhorem a competitividade do país e ponham fim à forte contração doméstica.

Do ponto de vista dos fundos, no NB Brasil, tínhamos identificado bastante valor na dívida soberana brasileira, face aos níveis que estava a transacionar em final de 2015, sobretudo em moeda local, com yields acima dos 16% em vários prazos. Nas obrigações soberanas de prazos curtos temos apostado mais de 50% da carteira, bem como assumido uma postura mais defensiva na componente acionista. No fundo NB Mercados Emergentes, desde novembro que achamos que o mercado brasileiro apresenta um valor relativo muito significativo, sobretudo na banca privada e em telecomunicações. Em face deste posicionamento, o Brasil tem sido um forte contribuidor para a performance dos fundos neste forte movimento dos ativos brasileiros.

No que respeita aos indicadores económicos, não há ainda qualquer visibilidade sobre a inflexão da forte contração que estamos a presenciar. Sucessivamente adiada, a retoma económica espera-se agora para 2017, mas tudo vai continuar a depender da rapidez com que o governo encare o ajustamento económico.

A contração doméstica visível em todos os indicadores (consumo, investimento, desemprego,...) não tem ainda reflexo na descida da inflação, um dos problemas crónicos desta economia. O impacto positivo da contração do consumo na queda das importações é o único ajustamento já visível no Brasil. O forte desequilíbrio externo que era visível na balança de transações correntes está agora corrigido, não havendo, por essa via, uma pressão adicional de depreciação da moeda como temos vindo a observar. Nos restantes indicadores, não é possível antever a sua evolução com rigor.

Os próximos capítulos da novela política brasileira dependem de muitos fatores. O cenário central em que o mercado parece acreditar é o de uma saída do PT do poder, por via da destituição da presidente. A confirmação deste cenário deverá ainda sustentar os mercados nos níveis atuais. A partir daqui há cenários muito diversos, uns que passam por eleições antecipadas outros pelo condução do vice-presidente até ao final deste mandato. O mais importante para antever impactos positivos nos mercados será o comprometimento do “novo” governo com as reformas do sector público e outras que visem melhorar a competitividade do Brasil, efetuando os ajustamentos necessários no aparelho do Estado, permitindo uma visão positiva para a economia brasileira num futuro próximo. A determinação na resolução dos problemas endógenos do país vai ser determinante no reconhecimento dos investidores sobre as perspetivas do país.

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