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“A Índia é atualmente uma das mais fortes e convincentes histórias do mercado de ações”


Seguramente que o DNA da Mirae Asset - gestora asiática independente fundada em 1997 – dota-a de grandes capacidades para traçar quais as perspetivas para a região nos próximos tempos. De visita a Lisboa, Rahul Chadha, Co-CIO e gestor da Mirae Asset, conversou com a Funds People precisamente sobre esse tema.

“Estamos muito construtivos na Ásia no médio prazo”, começou por referir, dizendo que “as valorizações estão atrativas e o crescimento interno estabilizou”. No próximo ano o profissional assegura que veem uma recuperação do crescimento não só na Índia, mas também noutros países, como é o caso da Indonésia.

Índia divergente, mas mais interessante do que nunca

Mas é precisamente na Índia que Rahul Chadha diz estar um “dos mercados favoritos”. Razões? Mais do que muitas. “A Índia é atualmente uma das mais fortes e convincentes histórias do mercado de ações. Apresenta uma demografia favorável, um governo estável, criação de emprego e infraestruturas. Parece-me que a economia está numa espécie de ‘ponto rebuçado’, por esta altura, sendo a economia que mais beneficia da correção dos preços das commodities”, reitera Chadha. Para além do mais, está convencido de que o grande mote que faz centrar atenções na Índia, é o facto de “nos últimos 12 meses ter sido um mercado com underperformance, e que reúne diferentes opiniões dos investidores no que toca à atuação de Modi”. No campo dos desafios para o país, o gestor fala da criação de um “ambiente favorável para os negócios”, que assegure que “a burocracia é reduzida e que os investimentos chegam a bom porto”.

Subida de taxas inserida nos preços

Mas os desafios para os países asiáticos não se ficam por aqui, e Rahul Chadha dá uma opinião muito incisiva por exemplo acerca da China. Refere que será desafiante fazer a gestão do modelo de transição da economia. “Numa perspetiva de cliente estou positivo relativamente a essa transição, mas gostaria de ver decisões mais ‘duras’ por parte do governo, que apoiassem por exemplo as empresas menos competitivas”, diz. Com a provável subida das taxas de juro pela Fed a ter lugar este mês, os mercados emergentes são facilmente alvos apontados como potenciais prejudicados pelo movimento. Afirma nesse sentido que “em grande medida esta subida de taxas já está bem sinalizada pelo mercado, e encontra-se por isso inserida nos preços dos ativos”.

Sobre o Mirae Asset Sector Leader Equity Fund, fundo da casa criado em 2012, Rahul Chadha especifica que para este produto procura, essencialmente “empresas com balanços fortes e com boa gestão”. Neste âmbito, destaca por exemplo o nome da empresa indiana Maruti Suzuki - líder no sector automóvel do país - que “tem aumentado a sua quota de mercado de cerca de 38% para os 48% atuais, tendo ainda reduziu os seus custos competitivos”. Outro exemplo focado pelo profissional é o da chinesa Tencent – portal de serviços na internet – que “domina completamente o mercado, e que evoluiu de uma empresa de jogos para um site de social networking”.

Aproveitar conhecimento alargado da equipa

Considerando a análise que fazem completamente bottom up - suportada por uma equipa que se divide por toda a região asiática - o gestor explica que no processo de investimento partem da aplicação de screenings em pontos como o risco de liquidez, risco financeiro e o risco do negócio. Têm como ponto inicial um “conjunto de oportunidades” que se  materializam em 12.000 ações, que são filtradas até um universo de 1.400 títulos. Entra depois em cena o trabalho de cada um dos analistas que “cobre aproximadamente 50 empresas, e que fazem a sua divisão por sectores e geografias”. Segue-se a lista recomendada a  Rahul, com cerca de 15 ações fornecida por cada um dos analistas: “Eles apresentam-me as ideias, discutimo-las, fazemos brain stormings constantes olhando para diferentes ângulos”. A gestora não descura o conhecimento in loco e, por isso, a equipa que está em Hong Kong visita por ano cerca de1500 empresas, enquanto Rahul tenta conhecer mais ou menos 225 por ano.   

Assinale-se ainda que a entidade tem vindo a assumir princípios de investimento cada vez mais responsáveis, e em abril de 2015 tornou-se mesmo signatária da PRI (Principles for Responsible Investment), incorporando na sua análise factores ESG.

 

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