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A gestão de ativos em 2016, pelos olhos da CMVM


No “Risk Outlook” de outono, a CMVM deixa patente o quão negativo tem sido 2016 para a indústria de gestão de ativos, em termos de património, mas destaca pela positiva o retorno do fundos de investimento. Nomeadamente, o relatório destaca que até setembro de 2016 é observado um decréscimo de ativos sob gestão (AuM) na gestão individual de portefólios (-4,5% desde dezembro de 2015), bem como no investimento coletivo (-8,4%). Este decréscimo de AUM em investimento coletivo afetou vários segmentos de mercado, “especialmente os fundos de investimento (-19.3%) que experienciaram perdas significativas”.

Os Undertakings for Collective Investment Schemes in Transferable Securities ou UCITS decresceram no terceiro trimestre de 2016 (-9,5%), e os fundos imobiliários, apesar de maiores preços de imobiliário, também enfrentaram uma redução nos AuM (-5%). A entidade reguladora considera que “este último foi provavelmente resultado da eliminação dos restantes benefícios fiscais que ocorreu no orçamento de estado de 2016”.

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Por outro lado, está patente no relatório que o sector da gestão de ativos foi impactado, em 2016, pela resolução do BANIF (Banco Internacional do Funchal), a par das “mudanças relevantes na estrutura acionista da unidade de gestão de ativos do mesmo (BANIF GA)”. Recorde-se que o negócio bancário core do banco madeirense foi vendido ao Santander Group, embora a unidade de gestão de ativos tenha sido incluída numa empresa gerida pelo próprio Fundo de Resolução. “Apesar disso, as perdas para os investidores foram incontornáveis, com quase 500 milhões de euros em ativos a saírem da BANIF GA entre o trimestre anterior à resolução e o terceiro trimestre de 2016”, destaca a entidade reguladora, que opina também que “o cenário mais provável é que os ativos sejam transferidos para outros investimentos fora do perímetro do banco”.

Private equity e capital de risco

 No universo de private equity e venture capital, cujos fundos e empresas “são principalmente detidos por investidores institucionais”, a maior atividade de investimento continua focada em empresas endividadas ou com outros problemas financeiros, embora “o capital de risco tenha recebido maior atenção em 2016”. No entanto, “até agora, nenhuma empresa portuguesa entrou no mercado de capitais depois de ter sido assistida por investidores de venture capital, sugerindo que o sector não é ainda grande o suficiente para permitir a adequada capitalização das empresas domésticas”, destaca o regulador dos mercados.

Fundos de investimento

Os fundos de equity, em particular os fundos focados em ações nacionais, continuam aquém do expectável e não providenciam uma real alternativa para as empresas domésticas procuraram a dispersão de capital”, pelo que “isto em conjunto com o ainda pequeno sector de private equity e venture capital (menos de 4 biliões de AUM), representa provavelmente a maior restrição ao financiamento enfrentada pelas empresas, forçando-as a orientar-se para o crédito bancário, o que resulta em maiores custos de financiamento e maiores riscos de falência, que resultam de estruturas de capital desequilibradas”, descreve o relatório.

Os fundos de obrigações, por outro lado, mostram uma tendência maior de contração dos AUM, que não pode ser separada dos recentes episódios de default no papel comercial, e outros referentes às obrigações de conhecidas empresas cotadas”, relata a CMVM, que aponta como consequência que “esta situação, provavelmente, gera uma relutância implícita entre os investidores de fundos de obrigações no que toca ao futuro do investimento direto em obrigações”. “Isto aconteceu apesar de, em média, os retornos dos fundos de obrigações serem positivos em quatro dos últimos cinco anos. Paralelamente, a recente evolução da duração dos portefólios de obrigações mostra uma ligeira redução da exposição global à curva das yields, mais acentuada no que diz respeito à duração da dívida, revelando uma precaução redobrada na gestão efetuada pelos gestores no que toca à política de investimento referente à dívida soberana”, comenta a CMVM no Risk Outlook de outono.

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Os retornos dos fundos em comparação com os benchmarks mais adequados, num período de quase sete anos, mostram, no entanto, que o investimento coletivo – depois de comissões e taxas – consegue render mais (ou o mesmo) do que outro tipo de investimentos comparáveis em termos de risco/retorno”, comenta a entidade.  No entanto, a CMVM aponta que “os fundos de investimento imobiliário abertos “são uma exceção” ao mesmo tempo que aponta para o facto de que “os gestores de obrigações, por sua vez, mesmo que posicionados numa parte mais baixa da curva de yields relativamente ao benchmark, mostram uma capacidade grande em conseguir superá-lo”.

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