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A Fed sobe taxas e fornece os primeiros detalhes sobre a normalização do seu balanço


Embora as anteriores subidas de taxas da Reserva Federal se tenham produzido num contexto de incerteza económica, de instabilidade dos mercados e inclusive de dúvidas sobre a vontade do banco central para efetivamente subir taxas, o cenário desta reunião de junho tem vindo a ser largamente antecipado pelo mercado (com cerca de 100% de probabilidade colocada no preço), e já é oficial: o Comité Federal do Mercado Aberto (FOMC pelas suas siglas em inglês) voltou a subir o preço oficial  de dinheiro pela segunda vez no ano, até ao nível de 1% - 1,25%. O único dissidente na votação a favor da subida de taxas foi Neel Kashkari, da Fed de Minneapolis, que preferiu manter o nível anterior.

Brian Horrigan, economista chefe de estratégias macro da Loomis Sayles, afirma que “parece que a Fed está ansiosa por subir as taxas e empreender a normalização do balanço, provavelmente porque é improvável que o presidente Trump vá renovar o mandato da presidente da Fed, Janet Yellen, para um segundo mandato quando expire o seu janeiro”.

Nos últimos dias, vários participantes de mercado tinham assinalado que as expectativas publicadas no gráfico dos pontos de março (que reflete as projeções sobre o nível das taxas de juro dos membros do FOMC) provavelmente foram revistas em alta, algo que o mercado não estava a avaliar efetivamente. No entanto, a atualização dos pontos está em linha com a revisão de março, ao refletir a opinião maioritária de que as taxas alcançarão os 1,5%. Assim, pode dizer-se que os membros do FOMC esperam outra subida de taxas para este ano. Horrigan comenta que “muitos investidores parecem cépticos relativamente a quanto subirá na realidade a Fed as taxas no ciclo atual, especialmente visto que os membros do FOMC se têm mostrado amplamente em desacordo relativamente a este tema nos últimos anos”. 

“A economia norte-americana pode adaptar-se facilmente à subida das taxas de juro”, afirma James Athey, gestor sénior da Aberdeen. Este fixa-se no facto da economia estar a avançar a um ritmo de 2%, e clarifica que “existem sinais de que o crescimento do emprego está a arrefecer, mas é algo normal e saudável neste ponto do ciclo económico”.

As únicas dúvidas antes desta reunião do FOMC giravam em torno da inflação, que se tinha suavizado ligeiramente nos meses prévios. “As mudanças na inflação tinham acontecido durante um período reduzido de tempo. Não entendemos a inflação suficientemente bem para tomar decisões baseadas na escassa informação”, indica Athey.

O balanço da Fed

As Atas da Fed publicadas em maio mencionavam pela primeira vez de forma explicíta que a Fed está a planear deixar de reinvistir os ativos do seu balanço, quando estes chegarem ao vencimento.

Em comunicado, a instituição limitou-se a indicar que de momento manterá a política atual de reinvestimento, dando ainda uma pequena pista: “O Comité espera atualmente começar a implementar a normalização do balanço este ano, visto que a economia evoluiu como se esperava”.

A grande novidade da reunião foi a publicação de um anexo, em que se detalha como será feita essa normalização. Em primeiro lugar, dizem que o limite para reinvestir as obrigações do Tesouro dos EUA que cheguem ao vencimento será inicialmente de 6.000 milhões de dólares por mês, e que aumentará em outros 6.000 milhões a cada três meses durante um período de doze meses até que alcancem os 30.000 milhões ao mês.

O limite para a dívida de agência e para os MBS será inicialmente de 4.000 milhões e aumentar-se-á em 4.000 milhões adicionais ao mesmo ritmo (cada trimestre durante 12 meses), até que se alcance um ritmo de 20.000 milhões ao mês. O FOMC tem antecipado que estes limites se manterão assim que sejam alcançados os níveis máximos.

  

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