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A explicação para as divergências entre small e large caps


A tendência dos últimos 15 anos fez com que muitos especialistas falem das empresas de pequena capitalização como “vencedoras estruturais”, e esgrimam gráficos com dados a muito longo prazo, que validam este argumento. Paras Anand, responsável de ações europeias da Fidelity Worldwide Investments, considera que há argumentos sólidos que justificam o afastamento de títulos de grande capitalização no longo prazo  (porque são tradicionalmente mais caras, estão a preços mais altos, e necessitam de uma maior margem de manobra para mudanças corporativas). Vale a pena recordar que os ciclos de mercado subjacentes podem estar a influenciar esta relação de small e large caps.

O especialista assinala que se passarmos em revista alguns dos factores que têm apoiado esta liderança no mercado, podemos ver não só a força das tendências, como também o muito que podem durar ao longo do tempo. Que factores seriam esses?

1.     Em primeiro lugar, as small e mid caps não só registaram um mau comportamento no final da década de 1990, como também por volta do final da bolha tecnológica, em 2000. “No início do primeiro período de melhor comportamento relativo, as discrepâncias de valorização (sobretudo na Europa) eram consideráveis. O colapso do Neuer Markt teve um papel fundamental, porque fez com que as vendas técnicas dos mid e small caps alemãs proliferassem, fazendo ainda com que o desconto necessário para vender as ações fosse considerável; em muitos casos os próprios fundadores das empresas e os fundos de capital de risco figuravam entre os compradores”.

2.     Outra das tendências a que se assistiu nos últimos 15 anos foi a transferência feita pelos investidores, do investimento em ações para  obrigações, mas também como a maior parte dos fundos foram deixando para trás as estratégias conservadoras (“índex-plus”) que investiam uma parte das carteiras em ações de forma a gerir o risco relativo ao seu índice de referência. “Isto foi um grande contratempo para as grandes empresas capitalizadas. Os mandatos que preferiam e procuravam ações, eram aqueles que apresentavam maiores desvios face aos índices (o mesmo é dizer que eram “desenhados” de uma forma muito diferente face aos índices de referência).

3.     Ao longo deste período - em primeiro lugar para conter a desaceleração que se previa depois dos ataques do 11 de setembro nos EUA, e posteriormente para combater as repercussões da crise financeira - as políticas monetárias dos bancos centrais foram oscilando entre posturas excessivamente expansionistas e injeções ativas de liquidez no sistema. “Perante estas circunstâncias é óbvio que qualquer ideia de desconto de liquidez perde parte do seu significado. Desta forma, uma parte importante desta evolução prende-se com o desaparecimento deste desconto. Como resultado as empresas de pequena e média capitalização na Europa atualmente negoceiam com prémios razoáveis”.

4. Mas o mais importante, segundo Anand, é que o crescimento relativo dos lucros das empresas que não se incluem no grupo das large caps foi substancialmente maior devido a vários factores: o fortalecimento do consumo nos mercados desenvolvidos; a força do ciclo mundial de produção industrial, especialmente nos mercados em desenvolvimento; a expansão das empresas para novas regiões e a vontade de contraírem empréstimos de forma a potenciar o retorno sobre o capital. “Todos estes factores beneficiaram também as grandes empresas, mas em menor grau face às pequenas”.

O contexto está a mudar

No entanto, na conjuntura atual, os factores enunciados anteriormente diminuíram de importância. “As condições de liquidez começaram a apertar, embora os prazos para as subidas das taxas de referência levadas a cabo pelos principais bancos centrais dos grandes países desenvolvidos  ainda não sejam claros e possam, eventualmente, não ser para breve. Estamos a assistir a uma estabilização e a uma ligeira melhoria das condições económicas em todo o mundo, que podem desencadear o mesmo nível de crescimento dos lucros impulsionados pela procura que vimos durante o último ciclo”, explica o especialista.

Com base nas evidências anteriores, Anand afirma que se virmos uma tendência de subida contínua na atividade empresarial, podemos entrar num período em que a magnitude de mudanças reais dentro das grandes empresas pode ser quase tão profundo como a que assistiríamos nas empresas médias e pequenas. “O mercado de forma global poderá demorar algum tempo a tomar consciência do possível efeito para os acionistas, tendo em conta a sua complacência em geral face às large caps”. Na sua opinião, o mercado de fármacos sem receita da GlaxoSmithKline poderá ser um bom exemplo.

Para além disso, é altamente provável que a direção dos fluxos de capital entre as obrigações e as ações, continue a ser mais favorável para as ações no médio prazo. Isto deve-se em parte ao maior potencial de proteção do capital a longo prazo, que é oferecido pelos investimentos com rendimentos reais (ou seja, pagamentos que podem aumentar ao ritmo de inflação) comparativamente com as obrigações. Naturalmente, as propostas mais atrativas e fiáveis neste sentido encontram-se entre as empresas de grande capitalização”, assinala o responsável de ações europeias da Fidelity. 

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