A Europa vai repetir o erro nipónico do final do século passado?


“De momento não há qualquer razão para esperar que os preços caiam drasticamente e exerçam uma pressão deflacionista em toda a economia”. A frase foi dita por foi Yasuo Matsushita, o governador do Banco do Japão em 1998, mas podia ter sido dita nos últimos meses por Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE). Analisando “à letra” a deflação, esta constitui um grande problema para a economia já que se define como um longo período em que a inflação se encontra negativa. Este problema atingiu os Japão praticamente nas últimas duas décadas e na Europa está a surgir ao longo deste ano.

Mas será que podemos esperar, na Europa, uma situação diferente daquela que aconteceu no final dos anos 90 do século passado no Japão? Irá a Europa conseguir fazer melhor do que o ‘país do Sol Nascente’?

Aceitando o repto da Funds People, alguns gestores nacionais deram a sua opinião evidenciando que a Europa poderá, realmente, fazer melhor do que o Japão, sobretudo devido à proatividade na resposta ao problema da deflação.

Proatividade no centro da resposta

Para Diogo Pimentel, gestor do fundo Santander Acções Portugal, a proatividade do BCE poderá ser a chave para afastar o cenário de deflação na Europa. “Ao contrário do que aconteceu no Japão, onde o Banco Central demorou 8 anos até iniciar políticas monetárias não-convencionais mais agressivas, o Banco Central Europeu tem-se mostrado bastante mais proactivo nas medidas que tem implementado”, afirma o gestor da Santander Asset Management. Ainda assim, o gestor acredita que ainda não é hora de ‘cantar vitória’. “Isto não significa que os próximos anos não continuarão a ser pautados por um crescimento das principais economias abaixo do seu potencial e com taxas e níveis de inflação em mínimos históricos, dada a magnitude dos ajustamentos que têm de ser feitos na Zona Euro”, explica o profissional.

Leonardo Espírito Santo, da Banif Gestão de Activos, entende que as semelhanças entre os dois cenários são preocupantes, sobretudo ao nível da “prolongada retração do crédito, do crescimento insignificante dos agregados monetários, da inflação perto de zero e, sobretudo, das tendências demográficas num contexto de sistemas onerosos de segurança social”.

O gestor refere, também, a proatividade do BCE para que a situação do Japão não se repita na Europa. “A política monetária no Japão tolerou este estado, deixando para a política fiscal o papel de compensar a desalavancagem do sector privado. Na zona Euro, a resposta tem sido a inversa: os estímulos do BCE mitigam a austeridade fiscal”, elucida o gestor.

O especialista continua, abarcando, também, a temática das reformas estruturais. “Se as reformas estruturais na Europa não acelerarem, há o risco do BCE sozinho não conseguir re-inflacionar a economia”.

Já sobre o fenómeno da deflação para as empresas, Pedro Pintassilgo da F&C refere que “é uma ameaça ao volume de negócios e resultados das empresas em economias de mercado abertas. Constitui em última análise um contexto tóxico para a rendibilidade e crescimento das empresas”. O gestor acrescenta ainda que “o adiamento das despesas de consumo e investimento penaliza o crescimento económico e degrada a situação económico-financeira da generalidade das empresas”.

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