A estratégia do Amundi Global Aggregate, ponto por ponto


O Amundi Global Aggregate, da Amundi, trata-se de um fundo de obrigações globais, com 5 estrelas Morningstar, que desde o seu lançamento, em 2007, tem oferecido uma rentabilidade anualizada de 12%. Numa visita recente a Madrid, Hervé Hanoune, director de estratégia da equipa do Global Aggregate, explicou que o êxito da estratégia assenta em dois pilares fundamentais: uma visão estratégica macroeconómica que se combina com uma gestão tática ativa. Isto consegue-se também com um volume de ativos sob gestão que permite ao produto ser flexível na gestão. Uma flexibilidade que, na opinião do especialista, não é fácil de conseguir com estratégias que abranjam grandes patrimónios.

No ano passado a rentabilidade do Amundi Global Aggregate foi de 5,18%, 5,3 pontos acima do índice de referência. Em 2013 três das quatro classes de ativos em que investia – divisas, obrigações soberanas e crédito – ofereceram uma rentabilidade superior, enquanto o retorno da dívida emergente foi flat. O segmento cambial proporcionou um retorno de 2,76%, tendo as posições em  dólar contra yen, dólar canadiano contra dólar australiano e libra contra euro, sido os principais motores de rentabilidade. Na dívida soberana, que teve um resultado de 2,36% de rentabilidade, a estratégia passou por estar longos em bunds contra treasuries e subponderados na duração. A estratégia em crédito contribuiu com quase 2% graças à sobreponderação em entidades financeiras europeias.

A processar a estratégia para enfrentar 2014

Por vencimento, 21% da carteira está investida em obrigações com vencimento de 3 a 5 anos, 20% em obrigações de 7-10 anos e outros 20% em títulos de dívida a mais de 15 anos. A dívida com vencimentos mais curtos (1 a 3 anos) faz parte de 16% da carteira. Por qualificação de crédito do ativo, metade os ativos de dívida nos quais investe atualmente (49%) contam com um rating BBB. “A carteira tem exposição a obrigações high yield, mas com cobertura tática através de CDS”, explica Hanoune. Por áreas geográficas, França (14,5%) e Itália (13,6%) são os mercados de maior peso, seguidos dos EUA (12,9%). Destaca-se a elevado exposição a Portugal (8,3%) e Rússia (8,1%). A duração da carteira é de 4, 6 anos e o número de títulos é de 218.

Dívida Global

Qual será a partir de agora a estratégia do gestor? Segundo explica o próprio Hanoune, na dívida global o especialista espera uma subida das taxas que terá impacto principalmente nas obrigações a cinco anos. Por isso apostam em estar curtos nas obrigações a cinco anos e longos nas de 30 anos. “A recuperação da economia norte-americana será negativa para o mercado de dívida global. No caso da Europa, o facto do BCE ter atuado como um firewall para os mercados periféricos reduziu o atractivo das obrigações como valor refúgio”, afirma. A estratégia em dívida global passa por apostar em durações curtas, estando longos em Europa e curtos em Estados Unidos e Japão.

Estratégia em crédito

Na área de crédito, Hanoune assegura que a equipa do Amundi Funds Bond Global Aggregate está positivo na dívida corporativa, ao entender que muitas empresas beneficiam de balanços muito fortes. “Temos a convicção de que o crédito europeu baterá este ano o norte-americano. As valorizações na Europa são mais atrativas do que nos Estados Unidos, Reino Unido, e até mesmo do que a Ásia”. Na sua opinião, as TIR da dívida corporativa ainda estão atrativas em relação às obrigações. “Nós estamos longos em crédito, sobreponderando o europeu e, mais concretamente, o papel emitido pelas entidades financeiras que continuam a ser uma das nossas grandes apostas para 2014. A desalavancagem bancária continuará este ano”, explica.

Divisas

No mercado de divisas, Hanoune mostra-se convencido que o dólar e a libra vão bater o euro e o yen. “Abrimos posições largas no dólar e na libra. A liderança de crescimento nos EUA e o tapering iniciado pela Reserva Federal favorecerá a sua evolução positiva, ainda para mais tendo em conta que o dólar está subvalorizado”. No que diz respeito às divisas dos emergentes o especialista acredita que estas vão registar um melhor comportamento do que  aquelas que estão mais vinculadas às matérias primas. A equipa gestora do Amundi Global Aggregate abriu posições longas para o peso mexicano, o zloty polaco, o florín húngaro e o rublo, contra o dólar canadiano, australiano e neozelandês.

Dívida emergente

Na dívida emergente, Hanoune reconhece que a estratégia passa por uma grande seletividade. “O crescimento económico destes países continua a mostrar claros sinais de melhoria e os ativos denominados em dólares vão sofrer um volte-face, enquanto a pressão continuará a curto-prazo por causa da subida das TIR das obrigações do tesouro dos Estados Unidos. A parte curta das curvas locais oferece um carry decente e um risco de taxa de juro limitado. Também vemos valor na dívida corporativa. Atualmente mantemos posições long/short em dívida local brasileira, entidades financeiras russas e no sector energético”, revela o director de Estratégia da Equipa do Amundi Funds Bond Global Aggregate.

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