A dança sem par dos Bancos Centrais


Até há bem pouco tempos os bancos centrais costumavam fazer uma espécie de dança sincronizada. “Como um grupo de amigos da universidade, eles costumavam mover-se todos na mesma direção e fazer o mesmo tipo de coisas”, começam por ironizar os economistas Joshua McCallum e Gianluca Moretti da UBS Global Asset Management, no seu habitual “Economist Insights”. Se em primeiro lugar as ações partiam da Fed ou do Banco de Inglaterra, depois, mais tarde ou mais cedo, os outros bancos europeus e até mesmo o Banco do Japão, acabariam por lhes seguir as pisadas.

No entanto, as coisas mudaram e os primeiros sinais dessa mudança aconteceram há duas décadas atrás quando o Banco do Japão saiu do “grupo”. “Logo após a crise financeira em 2008 todos os bancos se moverem brevemente na mesma direção, mas isso foi o princípio do fim”, escrevem os dois especialistas.

A separação com reconciliação

Enquanto alguns dos órgãos da política monetária como por exemplo a Fed ou BoE começaram o seu percurso de experimentação ao aplicarem políticas que alteraram a base monetária, tais como o Quantitative Easing, o BCE, por outro lado, “preferiu manter-se colado às mais tradicionais formas de provisão de liquidez”. Depois, alguns pequenos bancos centrais foram seguindo o seu próprio percurso, como é o caso da Austrália, Canadá, Noruega, Israel e Suécia. Mas foi sol de pouco dura. “Esta divergência aconteceu durante pouco tempo e rapidamente eles voltaram todos a alinhar-se com os restantes bancos centrais praticando baixas taxas”, recordam da UBS.

Cada um segue o seu caminho

Atualmente, a sincronização entre os bancos centrais é novamente nula e ambos os economistas da UBS Global AM reconhecem três agrupamentos distintos. Por um lado, existem aqueles que  já procederam a um aperto das condições monetárias, ou que estão em vias de o fazer: a Reserva do Banco da Nova Zelândia, o BoE e a Fed. Depois, dizem, há aqueles que “já seguiram esse caminho há alguns anos atrás, e que agora estão à espera, supondo-se que continuem com essa postura durante mais tempo”. São elas as instituições da Austrália, Canadá e Noruega. Por fim, estão a lista de bancos que ainda estão à procura de uma política monetária acomodatícia, e cujas taxas de juro devem permanecer perto de zero durante algum tempo: BCE, o BoJ, o Banco Central Suíço, o Riksbank (Suécia) e o Banco Central de Israel.

Finais diferentes

Resumo feito, existe uma conclusão quase óbvia para os especialistas da gestora. “A divergência entre os três grupos reflete também a divergência no outlook económico. As economias daqueles que já procederam ao endurecimento das políticas económicas espera-se que acelere, tanto em crescimento como na inflação. As economias dos que estão em processos de flexibilização da política monetária espera-se que, na melhor das hipóteses, melhorem ligeiramente”.

Na opinião de Joshua McCallum e Gianluca Moretti uma coisa é certa: “Com os bancos centrais a seguirem cada um o seu caminho, será cada vez mais difícil falar acerca “do” ciclo de taxas de juro”. Por esta altura, os investidores enfrentam pelo menos dois ciclos de taxas de juro e terão que se “adequar de acordo com cada um deles”. 

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