“A consciência do risco é um conceito chave daqui para a frente”


A gestão do risco é atualmente um dos  tópicos que a grande maioria das gestoras mundiais abordam – e vincam a importância – no contexto atual. Numa das suas últimas vindas a Lisboa a Pioneer Investments não foi exceção, e Francesco Sandrini, responsável pela gestão de portfólios multi-ativos da entidade, fez questão de salientar numa conferência denominada de “Outlook for Multi-Asset Balanced and Income Portfolios”, a importância de se ter em mente que a estrutura de risco hoje em dia “é bastante distinta face há cinco anos atrás”.

“Estamos a viver atualmente uma fase de grande ilusão”, disse o profissional italiano aos presentes, explicando que esta ilusão advém do facto dos investidores estarem a experienciar níveis de volatilidade muito baixos, ao mesmo tempo que esse indicador da volatilidade acaba “por não refletir a realidade total do mercado e todas as suas especificidades”. O profissional alertou por exemplo para o problema da liquidez, lembrando que existe uma redução muito brusca em determinados segmentos do mercado, como é o caso do mercado primário norte-americano de obrigações corporativas high yield. E deixou uma pergunta essencial que, na sua opinião, cada um dos investidores deve fazer a si próprio: “Quando as pessoas quiserem vender este tipo de investimentos, será que ainda vai existir liquidez no mercado?

Mais do que nunca, diz o especialista, tem que se ir descendo na escala de crédito:Tem de se comprar obrigações investment grade, passando para o high yield corporativo e, por último, não esquecer o segmento de dívida dos mercados emergentes”, indica. Posto isto, a pergunta essencial que se coloca é como fazer a gestão do risco tendo em conta estas mudanças?  “A consciência do risco é um conceito que se torna chave daqui para a frente”, alerta Francesco Sandrini, que coloca a tónica no facto de ser essencial que “os portfólios tenham por base não só a diversificação comum, mas também a própria diversificação de skills, de gestores, e de pensamentos”.

Quatro pilares

Foi nesta lógica que interpôs a solução – e a temática – dos fundos multi-ativos, onde no caso da Pioneer Investments a equipa de multiativos trabalha tendo por base quatro pilares distintos. O primeiro está relacionado com a estratégia macro, que delimita qual o cenário base, ou seja, a “visão do mundo” na qual a equipa acredita. A título de exemplo pode referir-se que neste momento estão positivos em relação às ações, preferindo a este nível a bolsa europeia.  No passo seguinte, o segundo, segue-se a cobertura macro, que tenta conferir uma proteção sistemática aos riscos que estão relacionados com determinados eventos, como é o caso da situação na China ou na Grécia.

O terceiro pilar está relacionado com as estratégias satélite, que visam manter uma baixa a correlação entre os ativos. Francesco explica que “estas estratégias permitem uma grande redução do risco, já que se gera alpha, considerando componentes que não estão correlacionadas”.  Por último, as ‘selection strategies’, ou seja, o processo de stock picking, permite também uma geração de alpha a partir da seleção dos gestores “best in class” e dos ativos mais baratos.

As estratégias

Passando a resumir a gama de fundos Multi-Asset da Pioneer – que tem por base os pilares atrás referidos - o especialista começou pelo Pioneer Funds – Global Multi-Asset Target Income. “O que tentamos ter com este fundo é um target de rendimento de 5% numa base diária, mas com baixa volatilidade. Este produto foi criado precisamente para aqueles investidores que já não conseguem encontrar no mercado obrigações soberanas com um cupão próximo dos 5%”, justifica. Segue-se um produto que, segundo Francesco Sandrini, segue os mesmos pilares do fundo anteriormente descrito permitindo o  “acesso a algumas classes de ativos não muito ‘mainstream’”. É ele o Pioneer Funds - Global Multi Asset, que vive da diversificação, mas também do controlo do risco e da liquidez.

“Um fundo muito competitivo em relação aos seus ‘peers’”, referiu o profissional acerca do Global Multi Asset Conservative, que considera ser “um produto apropriado para os investidores que estão num processo de transição dos fundos puros de obrigações para outro os produtos com maior volatilidade”. Em último lugar referiu ainda o Absolute Return Multi-Strategy, que “combina várias estratégias de valor relativo”, mas sem que existam “riscos direcionais”.

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