A confiança de Mario Draghi


O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, mostrou-se confiante na recuperação da Zona Euro, sendo que espera que a economia europeia se continua a consolidar nos próximos meses, mesmo que essa recuperação seja lenta ou até frágil. “O crescimento real do PIB da Zona Euro no segundo trimestre deste ano foi positivo, depois de ano e meio de recessão. Os indicadores de confiança recebidos até setembro confirmam o crescimento gradual esperado da atividade económica nos níveis mais baixos”, afirmou o presidente do BCE.

A manutenção da taxa de juro de referência em 0,5%, não foi uma novidade, apesar da recuperação, embora ainda ténue, da economia europeia. As entidades contactadas pela Funds People foram unânimes ao afirmar que a manutenção em 0,5% era esperada.  Rui Barbara, da gestão de activos do Banco Carregosa, vai mais longe, ao afirmar que a Europa deve “esperar um período de taxas baixas, sobretudo as taxas directoras, por um período ainda mais longo.  As condições macroeconómicas apontam para a existência de riscos no downside. Há alguma recuperação económica, mas os riscos permanecem”. Ainda assim, a entidade afirma que Mario Draghi “constatou que a recuperação económica na Europa será demorada e desigual, dado o processo de redução de endividamento em curso. Rui Bárbara acrescenta que, considerando os Estados Unidos como exemplo, que estão mais adiantados neste processo e continuam com taxas muito baixas, podemos deduzir que no caso Europeu as taxas deverão continuar muito baixas durante um período alargado”.

António Serra, do Banif, segue a mesma linha de raciocínio, afirmando que “Mario Draghi referiu novamente que as taxas directoras deverão continuar nos valores actuais, ou em níveis ainda mais reduzidos, durante um longo período de tempo, mensagem que tinha sido introduzida na reunião de Julho com o objectivo de limitar a subida das yields (forward guidance)”.

Para João Zorro, responsável pela equipa de obrigações da ESAF, o BCE “manteve uma linha de orientação de política monetária expansionista, focada em ancorar as expectativas dos mercados, quanto à evolução futura das taxas de juro, aos atuais níveis”.

Utilizar todos os instrumentos

Mario Draghi mostrou-se, ainda, preocupado com as condições monetárias na zona Euro, tendo mostrado abertura para utilizar todos os instrumentos monetários à disposição.

O BCE mostrou-se ainda preparado para utilizar todos os instrumentos necessários para impedir que as condições monetárias se tornem mais apertadas, nomeadamente uma nova injeção de liquidez (LTRO).Apesar do discurso cauteloso, dos níveis reduzidos de inflação e da apreciação do Euro nos últimos meses, oBCE continua algo renitente em entregar mais medidas de estímulo. No entanto, caso as condições financeiras e a procura de crédito continuem deprimidas no Sul da Europa durante os próximos meses, é possível que o BCE anuncie um novo LTRO, uma forma de suavizar o impacto das injeções de liquidez que se vencerão no início de 2015”, afirmou o especialista do Banif.

O gestor da ESAF, acredita que a utilização do LTRO “ deverá ser apenas útil aos bancos dos países da periferia, uma vez que os principais bancos europeus já devolveram grande parte da liquidez criada nos programas anteriores”. 

 

O que acham as gestoras internacionais

Para o Barclays Bank PLC, Mario Draghi trouxe pouca informação sobre as novas perspetivas para a política monetária na Europa ou para a próxima revisão do Q&A. Para a instituição, o principal destaque vem da manutenção das taxas de juros. “Outro corte da taxa de juro continua a ser improvável, a menos que a atividade económica dê um passo atrás”, segundo a instituição.

O  Barclays continuar a acreditar que vai existir “outra operação de financiamento de longo prazo antes do final do ano, com características diferentes, se o excedente de liquidez continuar a encolher nos próximos meses”.

Já para a BlackRock, o director de investimentos de “Fundamental Fixed Income” e chefe da equipa de “Global Bond” Scott Thiel, afirma que “não foram feitas alterações às ferramentas atuais de política monetária. Houve uma pequena mudança na avaliação do crescimento, da inflação e na política monetária”. O especialista afirma, ainda, que os “Bunds vão continuar a subir a partir dos atuais níveis, que são historicamente baixos”.

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