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A BlackRock identifica três megatendências mais transcendentes do que a mudança de ciclo da Fed


É indiscutível que todos os olhos têm estado postos na Reserva Federal durante o mês de dezembro, devido à decisão histórica de subir as taxas de juro pela primeira vez em nove anos. Para Rick Rieder, diretor de investimentos de obrigações da BlackRock, este movimento não vai ser tão importante para a economia, visto que Janet Yellen ao sinalizar um ciclo extraordinariamente gradual e progressivo, supõe, por outras palavras que “quando a Fed começa a normalização de taxas, é provável que não mude grande coisa (da economia)”.

A postura de Rieder é que, apesar da Fed ter todo o protagonismo, desencadearam-se outras forças muito poderosas nos mercados financeiro às quais ainda não se está a prestar atenção suficiente. Tratam-se de grandes tendências de longo prazo, e da BlackRock consideram que “provavelmente terão um impacto maior e mais sustentável no tempo sobre os mercados, do que a primeira subida de taxas da Fed”. Entre estas tendências, Rieder destaca em primeiro lugar o poder transformador dos avanços tecnológicos: “As inovações já estão a ter uma forte influência disruptiva sobre a economia e sobre os mercados”.

Rieder apoia-se no gráfico que pode observar ao lado, que mostra o ritmo de adopção de novas tecnologias por parte dos EUA desde 1900. “As pessoas nos EUA estão a adoptar hoje novas tecnologias, incluindo tablets e smartphones, ao ritmo mais rápido que temos visto desde o advento da televisão”, constata o especialista da BlackRock. Com um esclarecimento: “No entanto, embora se possa dizer que a televisão prejudicou, sem dúvida, a produtividade nos EUA, os avanços atuais na tecnologia estão dirigidos para uma maior eficiência a custos inferiores. Por tanto, quando se tem em conta a influência da queda da tecnologia sobre os preços, os dados sobre o consumo e sobre a produtividade nos EUA têm melhor aspecto do que os títulos das notícias sugerem”.

A segunda tendência também está relacionada com a tecnologia, no sentido em que os avanços não estão a transformar apenas as pautas do consumo, mas também as de produção de novos bens e serviços, até a um nível que Rieder considera que “os lucros da eficiência não estão refletidos nas medidas tradicionais de produtividade”. O especialista dá o seguinte exemplo, tendo por base os dados de gastos sobre o capital disponíveis na Bloomberg: “Fica claro que o investimento nos EUA está a acelerar-se em termos gerais. No entanto, o custo desse investimento está a ceder, permitindo a novas empresas tornarem-se muito mais eficientes para poderem competir melhor. De forma similar, com a ajuda das novas tecnologias, muitas empresas têm “aprimorado” as suas práticas de gestão de inventários, ou têm adoptado modelos de negócio que contam decididamente com o mínimo de ativos possíveis , fazendo com que o nível médio dos inventários tenha caído ao longo das últimas décadas”.

Desta forma, o segundo gráfico que a BlackRock disponibiliza, mostra a queda dos inventários até zero no tecido empresarial norte-americano, medido pelo número de empresas cotadas incluídas no top 1500 por capitalização nos últimos 35 anos que tenham informado que os seus inventários caíram até níveis inexistentes. Concretamente, Rieder assinala que a proporção de empresas que foram capazes, em 2015, de  aumentar a sua eficiência mediante este sistema aumentaram a sua eficiência eaté superar 20%, face aos 5% publicados em 1980.

A última tendência tem a ver com a transformação das forças laborais nos EUA também como consequência de um maior uso da tecnologia. Em particular, Rieder indica que as empresas estão a dar prioridade aos trabalhadores mais qualificados para usarem as novas tecnologias. “Nos últimos 15 anos temos visto um crescimento dos postos de trabalho consideravelmente mais rápido em postos qualificados do que em postos menos qualificados”, tendência refletida pelo último gráfico analisado.

Este ajuste reflete algumas das grandes influências da inovação tecnológica sobre o mercado de trabalho: os trabalhadores mais especializados são recompensados pela sua compatibilidade com as novas tecnologias e é menos provável que sejam substituídos por automatização ou robots, enquanto que a tese contrária é válida para os trabalhadores menos formados”, refere o diretor de investimentos em obrigações. Este considera que esta divisão de tarefas “também sublinha a necessidade de políticas fiscais que enfatizem a educação e os cursos de formação”, visto que considera que, adaptar-se a políticas neste sentido, “será muito mais importante para a trajetória do mercado laboral e para a economia dos EUA, comparativamente com o facto da Fed se afastar das taxas a níveis de emergência este ano, e no ano seguinte”.

A conclusão comum de Rieder aos três pontos é que “a tecnologia está a chegar tão longe que as métricas tradicionais perderam o seu ritmo”. Não é uma conclusão trivial, visto que na opinião do especialista estas dissonâncias podem ajudar a explicar por exemplo a diferença de opiniões sobre a saúde da economia norte-americana, como a interpretação da queda da produtividade. “Também se torna mais difícil a evolução da política monetária, e é uma das razões  pelas quais temos achado os recentes debates sobre política monetária um pouco limitados e distorcidos comparativamente com a realidade”.

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