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A batalha brasileira vista do lado de cá do oceano


As eleições brasileiras que se disputam no próximo domingo têm como pano de fundo um contexto económico para lá de complicado. José Mendes, gestor dos fundos BPI Brasil Valor e BPI Brasil, da BPI Gestão de Activos, começa por dar conta disso mesmo. “A economia brasileira encontra-se estagnada, devendo acabar o ano a crescer próximo de 0% (actualmente o consensus é de que cresça apenas 0.3%). Porém, a inflação persiste em manter-se ligeiramente acima do limite superior da banda definida pelo Banco Central, que é de 6.5%. Adicionalmente, a taxa de desemprego já começou a subir, embora esteja ainda em 5%, mas já com a massa salarial sem aumentos”, resume.

Perante este cenário, uma primeira conclusão é óbvia para o profissional: “Qualquer que seja o candidato vencedor, o ano de 2015 deverá ser difícil para a economia brasileira”.

Depois da vantagem ganha pelo “furacão” Marina Silva, do PSB, as últimas sondagens trouxeram um volte-face. O candidato do PSDB, Aécio Neves, aproximou-se desta última, interpondo-se uma vantagem para a Presidente Dilma Rousseff numa 2ª volta, a decorrer no próximo dia 26.

Grande diferença: intervenção do Estado

Mas o que diferencia cada um dos candidatos no rumo a dar à economia brasileira? Ana Onofre, da Montepio Gestão de Activos - casa gestora que dispõe do Montepio Mercado Emergentes - refere que relativamente a Marina Silva existem “mais  incertezas do que certezas quanto ao rumo que irá dar à economia brasileira, uma vez que a sua campanha eleitoral tem sido ambígua quanto ao seu programa económico”. Acrescenta, no entanto, que “nalgumas intervenções durante a campanha eleitoral ela defendeu uma política governamental menos intervencionista, mais preocupada em fixar metas de inflação e não em estabelecer controlos artificiais e informais de câmbios e preços. Defendeu igualmente uma maior independência do Banco Central na aplicação de medidas que permitam o controlo das pressões inflacionistas, um controlo efetivo dos gastos públicos e medidas que incentivem o investimento externo”.

Mais concreto, José Mendes, considera que enquanto Dilma “refere que não vai ser necessário proceder a grandes ajustamentos na política fiscal”, Marina e Aécio apontam “claramente a necessidade desses ajustamentos, de forma a inverter a tendência dos últimos anos e tornar o país mais competitivo a longo prazo. Defendem ambos uma reforma tributária, tratando todos os sectores da economia horizontalmente, sem favorecer grupos específicos”. Ao nível da política monetária, o gestor também concorda com a profissional do Montepio: “Marina Silva ou Aécio Neves aceitarão maior independência do Banco Central para subir a taxa de juro Selic, de forma a combater com maior determinação a inflação”.

Os sectores mais e menos beneficiados

Seguindo os passos já iniciados pelo governo de Lula da Silva, na perspetiva de José Mendes, caso Dilma Rousseff vença, a Educação será um dos sectores mais beneficiados. Na outra face da moeda, tanto o gestor do BPI GA como a do Montepio GA têm bem definidos quais os sectores que sairão perdedores com a manutenção da presidente no cargo. “Os sectores da energia,  bancário/financeiro poderão continuar a sofrer intervenções do governo continuando a constranger a sua actividade”, prevê Ana Onofre. Simplificando, José Mendes indica que “os sectores que tenderão a perder mais são aqueles onde o Governo tem empresas que controla”. Por outras palavras, o sector de petróleo, “que é dominado  através da Petrobras, impondo preços finais de gasolina ao consumidor para controlar a inflação e nos bancos, através do Banco do Brasil, impondo reduções nos spreads de crédito que acabam por limitar os restantes bancos a reflectirem o risco das operações”, indica.

Caso o povo brasileiro opte por Marina Silva ou Aécio Neves, “os sectores  com influência estatal vão ganhar”, mas também “os sectores muito sensíveis às taxas de juro de longo prazo, como o eléctrico, o de concessões e o deimobiliário”, entende o gestor da BPI GA. Lembrando o ímpeto ambientalista da candidata do PSB, José Mendes dá um exemplo muito específico: “a empresa cotada que eventualmente perderá mais com a eleição de Marina Silva é a mineradora Vale que depende de autorizações ambientais para expandir os campos de produção de minério de ferro”.  

Ajustamentos nos fundos: analisar resultados

Oferecendo ambas as casas – Montepio Gestão de Activos e BPI Gestão de Activos – fundos com posições nesta geografia, impõe-se a pergunta: o pós-eleições poderá trazer mudanças na alocação das carteiras? Ana Onofre responde que não preveem uma mudança significativa na alocação do Montepio Mercados Emergentes após as eleições, “mas sim ajustamentos pontuais nos activos que constam na carteira do fundo aproveitando as recentes desvalorizações do mercado brasileiro”. Relativamente ao BPI Brasil Valor e ao BPI Brasil, José Mendes indica que “o mercado é muito rápido a ajustar cotações e daí tudo vai depender, caso a caso, das cotações de cada título em cada momento”. “A Petrobras acabou Setembro a cair cerca de 22% (em Reais) e o Banco do Brasil 30%,  o que significa que as cotações já estão a reflectir parcialmente o aumento da probabilidade de Dilma Rousseff ganhar as eleições numa 2ª volta”, dá como exemplo.

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