94% dos profissionais portugueses aponta para uma vitória do 'Sim' no referendo grego


A legalidade do referendo grego, marcado para o próximo domingo, está a ser posta em causa, e já hoje – sexta-feira – fica a saber-se a decisão do Conselho de Estado Grego sobre a constitucionalidade da consulta popular marcada pelo governo helénico. No entanto, tudo indica que a decisão desta espécie de Tribunal Constitucional não irá demover o governo de realizar o referendo marcado para dia 5 de julho.

As últimas sondagens demonstram alguma indecisão por parte do povo grego. Uma delas, realizada pela Universidade da Macedónia para a Bloomberg, aponta para uma vitória do “não”, com 43% dos votos, enquanto que o “sim” reúne 42,5% das intenções de voto. Uma das outras sondagens, conduzida pelo instituto Alco para o jornal Ethnos, aponta que 44,8% dos gregos estão inclinados para responder “sim”, enquanto 43,3% apresentam o “não” como resposta à aceitação das propostas dos credores gregos.

A opinião pública divide-se e traçam-se, claro, diferentes cenários sobre o que pode acontecer depois de domingo. A Funds People Portugal foi saber junto de profissionais portugueses da área de gestão de ativos qual a sua perspetiva quanto ao resultado do referendo, e quais as justificações que veem como mais plausíveis. 

Assim e, caso o referendo se realize já no próximo domingo, 94% dos inquiridos considera que o 'SIM' está em vantagem com uma probabilidade de vitória de 71%. Apenas 19% coloca este resultado praticamente como certo.

No que diz respeito a uma rejeição das propostas dos credores por parte do povo grego, 52% dos profissionais portugueses consultados pela Funds People acredita ser possível este desfecho

Cansaço vs medo

Estes adjetivos podem entrar em ambos os lados quando se falam nas razões para a vitória do 'sim' ou do 'não' no referendo do próximo domingo. Por um lado, os principais motivos que suportam uma vantagem do sim - indicados pelos inquiridos - são o medo relativamente a um Grexit, o desejo do povo de continuar a estar na União Económica e Monetária e, igualmente, na União Europeia, o agudizar da situação económica e financeira praticamente sem solução à vista, o sentimento popular de desacreditação em relação ao Governo de Alexis Tsipras e ao próprio Syriza e o agravamento da austeridade sem financiamento externo.

Esta última razão é aquela que pode ser usada para apoio do 'não' uma vez que o povo grego está cansado da austeridade e de medidas impopulares de contenção de gastos que poucos ou nenhuns resultados obtiveram, no seu entender. Essa saturação leva os gregos a julgarem que o voto contra o acordo com os credores lhes dará um novo futuro. Contudo, os profissionais salientam que esse pensamento é um tanto ou quanto ilusório e envolto no discurso populista do atual Governo.

Em suma, entre duas decisões que não são necessariamente boas, o caminho deverá ser o menos mau e o possível para levar a bom porto um dos países da periferia da Europa que mais incertezas tem gerado nos mercados financeiros nos tempos recentes.

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