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Україна: чи присутні побічні ефекти на фінансових ринках


Depois da vaga de conflitos na Ucrânia, o futuro político do país encontra-se atualmente em “banho-maria”. Nestes constrangimentos que envolvem relações intricadas de países, importa também saber o impacto que tais acontecimentos têm nos mercados financeiros. Pertencendo a Ucrânia ao universo dos mercados fronteira, que ultimamente têm sido temática, como veem os gestores nacionais esta situação? Que impacto pode ter nos mercados globais um cenário de mais instabilidade política e de um possível efeito contágio?

Especificidades geográficas

Para Rui Castro Pacheco, Head of Asset Management do Banco Best, a “Ucrânia é, de facto,  “um membro de menor importância, em termos de preponderância nas alocações dos investidores em Mercados Fronteira, contudo, em termos geopolíticos tem uma importância que pode pressionar o sentimento nos mercados financeiros mundiais”. O especialista indica que existem dois efeitos para analisar. Em primeiro lugar o “impacto nos mercados globais como um todo, com efeito indireto nos mercados fronteira”, e em segundo o “impacto direto no grupo dos mercados fronteira”. Rui Castro Pacheco, indica que “o primeiro efeito pode, de facto, afetar de forma indireta os mercados fronteira, por via de aversão ao risco. O segundo efeito parece ser moderado, pois a questão da Ucrânia tem diversas especificidades que não nos parecem ser transportáveis para outros países do grupo”.

Assim, em cima da mesa podem estar algumas especificidades geográficas. “Fronteira da Europa com a Rússia e canal de passagem de matérias-primas energéticas; políticas – Democracia vs Ditadura; valores Europeus vs dogma Russo; e a própria fragmentação dos país entre Este e Oeste, com implicações a nível de motivações Pró Rússia ou Pró Zona Euro entre a população”, enumera o Head of Asset Management da entidade.  Rui Castro Pacheco ressalva que “os mercados fronteiras não podem ser considerados um grupo de países homogéneo”, já que “entre eles existem fundamentais económicos e tendências de longo prazo que os distinguem, sendo que a seleção de acordo com os outlooks elaborados será fundamental para o sucesso da estratégia de investimento em mercados fronteira e, neste aspeto, a Ucrânia terá um papel direto reduzido na performance de países como a Nigéria ou o Vietname, por exemplo”.

Reforçando que “a seleção dos países/empresas tem, efetivamente, um papel relevante no investimento em Mercados Fronteira, não só pela heterogeneidade já mencionada, como também pela dificuldade de acesso a informação” o especialista indica que “será relevante para os investidores contarem com a experiência dos especialistas neste estratégia de investimento”. No Banco Best “existem atualmente algumas alternativas em fundos “Frontier Market” geridos por especialistas que acompanham muito bem estas zonas onde o acesso à informação pode fazer toda a diferença para o sucesso dos investimentos, sendo sempre recomendável apostar na gestão de entidades como a Franklin Templeton, HSBC e Schroders para investir nestas zonas”. Rui Castro Pacheco assinala que “olhando para a performance destes mercados e dos respetivos fundos de investimento, é notório a ainda baixa alocação de ativos a estes países, pelo que os mesmos acabaram por não sofrer a mesma volatilidade e quebra verificada nos mercados emergentes mais conhecidos”. Numa perspetiva de diversificação o especialista considera importante “alocar uma parte das carteiras de investimento a estes ativos”

Situações “esperadas” nos fronteira

João Pereira Leite, Diretor de Investimentos do Banco Carregosa, começa por relembrar quea Ucrânia está representada com 2 empresas (num total de 143) e com um peso de 0.1% no Índice MSCI Frontier Markets que serve como benchmark de referência para quem investe em mercados de fronteira”. Assim, explica o especialista, “a Ucrânia em particular não é factor de desconforto para os investidores, a não ser que o conflito interno ganhe escala além fronteiras, o que para já não parece ser o caso”. No o profissional, sublinha que quem está investido em mercados fronteira tem de estar ciente de que situações desta natureza possam ocorrer. “É precisamente por esta razão que, apesar de muitos destes países terem empresas com melhores fundamentais quando comparados com os de países desenvolvidos, negoceiam em média a 30% desconto”, indica, referindo que “os investidores exigem um desconto que lhes dê conforto para investir em países com menor maturidade democrática ou mais subdesenvolvidos”.

Investidores calmos 

Jorge Guimarães, Diretor Adjunto da Gestão de ativos, do Banif Gestão de Activos, começa por dizer que "neste início de ano os mercados emergentes têm sido um dos focos de atenção do mercado, qualquer que seja a agregação que seja feita (BRICs, Frontier, N11, Fragile Five, etc). Por isso para o especialista "um aumento da instabilidade política num país, como a Ucrânia, nunca é bom para os mercados, até porque a situação financeira da Ucrânia já não era boa antes da crise". Ainda assim o profissional tem a perceção de que "até agora os investidores consideram que esta é uma situação específica, com efeitos de contágio limitados" . No entanto, "no caso de a situação se descontrolar, e assistirmos, por exemplo, a um breakup forçado do país, esta relativa indiferença dos mercados pode mudar rapidamente", conclui. 

Prudência: exige-se

Do Departamento de Gestão Discricionária da ESAF, João Pina Pereira, indica que “até agora a instabilidade dos mercados emergentes, tem-se vindo a repercutir de uma forma bastante leve nos chamados mercados fronteira”, mas “o agravar das tensões na Ucrânia pode de facto vir a alterar esta situação”. Ainda assim o especialista, indica que “não nos podemos esquecer que os mercados fronteira são claramente marginais, a maior parte dos investidores não tem exposição nestes mercados ou então tem-na com um peso reduzido”.  As consequências colaterais são para o profissional uma das maiores preocupações. “Estamos a falar do maior país  exclusivamente europeu, que faz grande parte da sua fronteira com a Rússia que é o maior país do Mundo. A situação na Ucrânia exige um acompanhamento bastante rigoroso, pois poderemos estar perante um fator de instabilidade acrescida nos mercados”. João Pina Pereira exemplifica dizendo que “na passada  quarta feira,  a notícia de movimentos de 150.000 soldados russos para um exercício militar na zona foi o suficiente para provocar quedas nas bolsas superiores a 1% em poucos minutos, ao mesmo que o efeito de refúgio se fez sentir, tendo as taxas de juro alemãs atingido o seu valor mínimo nos últimos 7 meses.” Para além disso, “se assistirmos a uma escalada das posições envolvidas, tal poderá vir a ter um impacto relevante nos mercados de commodities e reflexos negativos para as previsões do crescimento global para o corrente ano. Concluindo, o profissional refere que “esta situação na Ucrânia exige prudência e atenção redobrada aos seus desenvolvimentos”.

Financiamento em cima da mesa

Filipa Teixeira, Head of Research da Patris Gestão de Activos, acredita que a grande questão pode estar no financiamento. “O recente turbilhão político na Ucrânia apresenta desafios aos investidores expostos ao país bem como a países vizinhos, sendo a grande questão assegurar financiamento para repor reservas e rolar dívida existente que matura este ano, para evitar a insolvência do país”. Para a especialista a normalidade no país vai depender “entre outros factores, da rapidez de aprovação do pedido de ajuda ao FMI, a dimensão do mesmo, bem como da hipótese de Washington e Bruxelas se disponibilizarem para fornecer um pacote de ajuda”. Outra questão sublinhada pela especialista refere que “enquanto não houver um governo a funcionar que decrete as necessárias reformas estruturais inerentes a um pacote de ajuda, este muito provavelmente tardará em chegar, o que aumentará o stress a curto prazo”. Mas já terá a  volatilidade chegado aos mercados por causa desta situação? Filipa Teixeira acredita que sim. “Os mercados globais já têm assistido, nos dias recentes, a volatilidades pontuais causadas por sentimento negativo associado à escalada de tensão na Ucrânia, contudo o equilíbrio tem-se reestabelecido rapidamente”, refere. A hipótese “contágio” é para a especialista menos provável, “dado que a exposição da banca internacional a Ucrânia é relativamente pequena”.

No entanto a especialista sublinha que “existem algumas situações que poderiam causar um impacto mais directo, como por exemplo na Rússia por via dos bancos, que de acordo com estimativas da Fitch têm uma exposição à Ucrânia de US$28bn”.Outro dos cenários de contágio que a especialista indica adviria de “uma interrupção das exportações Russas de gás que fazem passagem pelos oleodutos Ucranianos”. O último caso e num “worst case scenario a falta de liquidez em títulos da dívida Ucraniana poderia obrigar os investidores a procurar coberturas correlacionadas”. Filipa Teixeira conclui que “outro cenário de contágio poderia advir de todas as hipóteses”. Contudo, para a especialista “parecem pouco prováveis e de dimensão relativamente reduzida.”

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