5 anos, 10 fundos


O último quinquénio foi repleto de acontecimentos que trouxeram as "emoções à flôr da pele", com os mercados financeiros quase sempre na berra. Desde o início da crise da dívida soberana nos países periféricos, passando pela passagem da Troika nalguns países europeus – incluindo Portugal -, ou pela falência do BES, o período ficará sempre marcado na memória dos investidores nacionais.

Nesse período, de acordo com os dados publicados pela Morningstar, os fundos de investimento disponibilizados aos investidores nacionais registam uma rendibilidade anualizada média de 1,97%. Das quase duas centenas de produtos, apenas dez conseguem apresentar uma valorização de dois digitos, ou seja, acima de 10%.

O fundo mais rentável no período é o Montepio Euro Healthcare. O seu core de investimento são as ações europeias das cotadas do sector da saúde, sendo gerido pela Montepio Gestão de Activos. No período em questão atinge uma rendibilidade de 14,44%, e no final de setembro tinha quase 14 milhões de euros em património. Os maiores investimentos em carteira concretizam-se nas multinacionais Sanofi, Novartis, Roche e Bayer, ou seja, alguns dos maiores gigantes mundiais do sector da saúde. De destacar, ainda, que este produto foi galardoado na 1ª Edição dos Prémios Diário Económico/APFIPP como o melhor fundo na categoria de “outros fundos de ações”.

Com os olhos postos no EUA

Dos dez produtos mais rentáveis nos últimos cinco anos, quatro investem do outro lado do Atlântico Norte, na maior economia do mundo. Três desse quatro produtos ocupam as posições seguintes da lista, como é o caso do Caixagest Acções EUA, do Santander Acções América e ainda do Millennium Acções América.

O fundo gerido pela Caixagest regista uma rendibilidade de 13,79% e é o maior fundo entre os seus pares, com cerca de 90 milhões de euros de património sob gestão. O maior investimento do produto pertence à Apple. Os restantes dois produtos também têm a Apple como maior cotada em carteira. Em termos de rendibilidade o fundo da Santander Asset Management regista um incremento de 13,46%, enquanto o da Millennium Gestão de Activos fixa os seus ganhos em 11,83%.

Na lista surge, ainda, o BPI América denominado em euros. O fundo da BPI Gestão de Activos ocupa a nona posição no ranking com uma rendibilidade de 10,26%. Contrariamente aos outros produtos presentes na lista, a maior cotada em carteira não é a gigante tecnológica, mas sim a DR Horton, a maior empresa de construção de casas norte-americana. De destacar, também, que este fundo foi o produto do mercado nacional que mais valorizou durante o ano de 2014. Na revista número oito da Funds People Portugal o gestor do fundo, José Caras-Altas Badalo, afirmava que “o facto de estarmos fisicamente afastados do mercado onde investimos não é encarado como uma desvantagem, já que nos levou a seguir uma abordagem menos convencional na gestão da carteira. Ainda assim, afirmava que a base do trabalho na gestão do produto são “as estimativas de analistas que acompanham as empresas localmente”.

O reino da diversificação

Os restantes produtos na lista realçam a maior máxima financeira dos mercados: "não colocar todos os ovos no mesmo cesto”. Por exemplo, o quinto produto mais rentável da lista é o Invest AR PPR que é gerido pela Invest Gestão de Activos. Entre os fundos de alocação este é o mais rentável de 2015. Já nos últimos cinco anos regista ganhos de 11,44%.

Logo de seguida surge o fundo mais rentável do ano: o Caixagest Private Equity. Sob responsabilidade da Caixagest, o fundo apresenta ganhos de 10,94% nos últimos cinco anos e investe no sector do capital de risco. Também da lista figura o Banif Gestão Passiva. Trata-se de um fundo de investimento alternativo fechado que iniciou a sua atividade no primeiro trimestre de 2010, tendo sido criado pelo Banco Privado Português (BPP) tendo passado, depois da queda da instituição, para as mãos da Banif Gestão de Activos. É também o maior produto da sua categoria - Fundos de Investimento Alternativo de Obrigações – com mais de 305 milhões de euros de património.

Dos restantes produtos, um investe em ações e outro em obrigações. O fundo que investe em obrigações é o NB Obrigações Europa. Gerido pela GNB Gestão de Ativos, o fundo é dos produtos que mais deu nas vistas nos últimos cinco anos, tendo aproveitado da melhor maneira as taxas de juro dos títulos de dívida soberana ao longo desse período. Recorde-se, a título de exemplo, que este foi o melhor fundo de obrigações do primeiro semestre do ano passado ou o fundo de obrigações com melhor performance no último triénio.

A fechar a lista surge o Millennium Global Equities Selection. Gerido pela Millennium Gestão de Activos, o produto regista uma rendibilidade de 10,07% no período em análise. No final do mês passado o seu património ascendia a quase 13 milhões de euros com a Apple a constituir o maior investimento em carteira.

Os fundos com mais de 10% de ganhos nos últimos cinco anos

Fundos GestoraRendibilidade 5 anos (%)
Montepio Euro HealthcareMontepio Gestão de Activos14,445
Caixagest Acções EUACaixagest13,791
Santander Acções AméricaSantander Asset Management13,466
Millennium Acções AméricaMillennium Gestão de Activos11,838
Invest AR PPRInvest Gestão de Activos11,441
Caixagest Private EquityCaixagest10,947
Banif Gestão Passiva *Banif Gestão de Activos10,607
NB Obrigações EuropaGNB Gestão de Ativos10,353
BPI América DBPI Gestão de Activos10,262
Millennium Global Equities SelectionMillennium Gestão de Activos10,072

 

* Fundo Fechado

Fonte: Morningstar no final de setembro

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